Cultura

Cuidados garantem noitada sem surpresa

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 4 min

Distraída confessa, Juliana (ela não quis declarar o nome completo) se diz uma pessoa de sorte por nunca ter perdido um objeto pessoal, enquanto segura a bolsa no colo, no bar, na noite de quinta-feira. “Nem é por segurança, é mais por hábito mesmo”, diz. O único cuidado que sua amiga Milene Peres procura ter é manter a bolsa por perto. “Não sou neurótica”, afirma. E não é mesmo. Assim como a mãe, Milene tem o hábito de deixar os documentos no porta-luvas do carro, inclusive o do próprio veículo.

As duas, sortudas, nunca foram vítimas de furto ou do próprio descuido. Mas uma amiga em comum teve o celular trocado por um Halls durante um show de Ivete Sangalo, em Bauru. “Ela estava carregando a bolsa e, sem perceber, alguém abriu a bolsa, pegou o celular dela e colocou um Halls para ela não notar a diferença do peso”, relata Milene.

O rapaz que acompanha Juliana e Milene acha que as mulheres são mais vulneráveis a esse risco. “Homem tem o costume de guardar celular e carteira no bolso”, coloca. Nem todos. A alguns metros de distância, o médico Antônio Carlos Paschoal Júnior sabe dos riscos que sua carteira está correndo ao deixá-la dando sopa sobre a mesa do bar. “Acho arriscado, mas no bolso atrapalha”, diz.

Sempre atento ao objeto e às pessoas ao redor, ele procura evitar passar por situação semelhante a que um amigo passou. “Ele esqueceu a chave do carro na mesa e foi ao banheiro. Quando voltou, não estava mais lá”, lembra. Na volta para casa, o médico também procura se precaver. Depois de retirar o carro de um estacionamento privado, ele evita o semáforo. “Apesar de ser uma infração de trânsito, de madrugada, eu não paro em sinal vermelho”, afirma.

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Cidade tranqüila

Talvez o comportamento relaxado das pessoas no bar seja justificado pela baixa incidência de ocorrências desse tipo, como aponta o titular do 3.º DP (área onde estão concentradas as casas noturnas da cidade), Silberto Sevilha Martins. “Não temos estatísticas precisas, justamente porque não é algo alarmante, que salte aos olhos. Mas há registros de perda de documento e celular que geralmente ocorre à noite”, diz.

Ao contrário de grandes centros urbanos, como Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas, Martins considera Bauru uma cidade segura. “Aqui, não é preciso viver nessa neurose. As estatísticas mostram isso”, afirma. Mas, apesar de ser vista como uma cidade tranqüila, o policial faz ressalvas. “Não podemos esquecer que vivemos uma fase onde não há limite para atos de violência. Por isso, nada impede que eles também ocorram em Bauru”, alerta.

As recomendações de Martins vão ao encontro das divulgadas pelo Grupo Garantia Real (GR), de São Paulo. “Como profissional de segurança, digo que o mundo de hoje não é o da ostentação. Quanto mais você mostrar o que tem, mais vai atrair aquele que não tem e quer ter”, coloca.

Todas as pessoas que tiverem algum objeto extraviado podem comunicar a Polícia Civil pelo número 197 ou pela Internet (www.policia-civ.sp.gov.br). “A população ainda pode registrar a ocorrência na unidade da Polícia Civil que lhe for mais conveniente”, conclui Martins.

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Dicas de segurança

• Na hora de chegar ou sair de casa, esteja alerta à presença de suspeitos;

• Se alguma chave for perdida, troque o segredo da fechadura;

• Evite ir às baladas sozinho(a);

• Evite andar com dinheiro, prefira os cheques ou cartões;

• Evite usar jóias, relógios ou outros objetos de valor;

• Evite deixar o celular sobre mesa ou balcões;

• Não espere o ônibus em paradas desertas ou mal iluminadas;

• Em ônibus com poucos passageiros, sente-se próximo ao motorista;

• Ande na calçada em direção contrária ao fluxo dos carros;

• Mantenha a bolsa sempre à vista e, ao caminhar, segure-a entre o braço e o corpo;

• Mantenha as chaves do carro e da casa em chaveiros separados;

• Dirija com vidros fechados;

• Não deixe os documentos no porta-luvas;

• Não deixe à mostra no carro embrulhos, pastas ou bolsas, guarde-os no porta-malas;

• No carro, evite adesivos, placas ou crachás que identifique os lugares que você freqüenta;

• Nos semáforos, reduza a velocidade para tentar chegar ao cruzamento com o sinal verde;

• Dirija por ruas movimentadas.

Fonte: Grupo GR (www.grupogr.com.br)

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