Mineiros do Tietê - A cidade de Mineiros do Tietê (a 65 quilômetros de Bauru) está sendo a pioneira na implantação de um projeto de recuperação da mata ciliar que servirá de modelo no Estado de São Paulo. O diferencial dele é que através de pesquisas definiu-se as espécies que deverão ser plantadas e que terão dupla função: recuperar a mata ciliar e servir de geração de renda para o público-alvo, formado por pequenos agricultores.
O projeto tem duração prevista de quatro anos e já está no segundo ano de execução. É desenvolvido com recursos do Banco Mundial, especificamente de um Fundo dedicado à biodiversidade e é elaborado em parceria com a Secretaria de Estado da Agricultura, por meio do programa de Microbacias Hidrográficas, e a Secretaria de Estado da Agricultura, como explica seu coordenador do componente três do Departamento de Projetos da Paisagem, Dagoberto Meneghini.
Para ele, o diferencial do projeto fica por conta dos estudos. “Foram desenvolvidos estudos do uso de espécies, modelos adequados para cada área, de como executar e de como baratear os custos que ainda são muito caros”, aponta.
O coordenador explica que para cada bioma tem uma espécie de ocorrências local. “Cada área tem suas especificidades por causa do solo, do regime climático e do tipo de corpo d’água. Em Mineiros do Tietê serão plantadas 80 espécies, é uma determinação da lei.”
O desafio dos participantes do projeto é agregar valores para que os pequenos agricultores possam gerar renda ao mesmo tempo que recuperam a mata ciliar. “Agregando nessas espécies nativas a produção de mel, por exemplo, além de árvores frutíferas e medicinais”, aponta Meneghini.
Outras formas de agregar valores ainda estão sendo pesquisadas. “A cobrança pelo uso da água, por exemplo. Essas práticas vão melhorar a qualidade e quantidade da água. Temos que buscar formatos que paguem por esse serviço”, opina.
Meneghini explica que o serviço ambiental pode ser pago pela Bacia Hidrográfica. “Essa água, que tem função individual na propriedade rural, é coletiva também. Produzindo com mais qualidade e quantidade passa a ser um produtor de água que influi na Bacia Hidrográfica que vai abastecer uma cidade. Isso pode ser remunerado, estamos pesquisando essas coisas para tornar realidade.”
Para realizar o trabalho de recuperação da mata ciliar foram escolhidas cinco bacias hidrográficas no Estado de São Paulo. Dentro de cada bacia, três microbacias em outro compartimento. “Estamos fazendo estudos e uma série de proposições para viabilizar a recuperação de matas ciliares, buscar modelos de recuperação, formas de financiamentos.”
Na região de Bauru a bacia é a Tietê/Jacaré. “Elegemos três municípios; Ibitinga, no córrego da Água Quente; Jaú, no córrego Santo Antônio; e em Mineiros do Tietê, no ribeirão São João. Os três municípios não no mesmo estágio. O mais adiantado é Mineiros do Tietê onde vamos começar a plantar efetivamente”, relata o coordenador.
A implantação do projeto em Mineiros já tem um ano, período em que foram desenvolvidos o diagnóstico da micro bacia. Estudo da situação das matas ciliares, pesquisa de solo, florística para decidir quais as espécies que ocorriam naturalmente na região. “É um projeto que vai testar várias situações para baratear o custo dessa recuperação”, afirma.
São quatro áreas de plantio que totalizam 3.61 hectares e abrangerão 70 propriedades. “Temos uma limitação que é a questão da época de chuvas, isso é um determinante para nós. Devemos plantar até o término dessa época depois não podemos. Estamos começando com quatro, este ano vamos retomar outras propriedades, como foi o primeiro ano. A gente fez um ensaio para ver como funciona exatamente.” Todo o trabalho com exceção do plantio já foi desenvolvido em Jaú e Ibitinga.