A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do medicamento Acomplia, desenvolvido pelo laboratório francês Sanofi-Aventis, para combater a obesidade. A previsão é de que o produto chegue às prateleiras das farmácias brasileiras dentro de três meses.
O princípio ativo do Acomplia é o rimonabanto, substância usada no tratamento de pacientes obesos ou com sobrepeso e riscos associados, como diabetes tipo 2, síndrome metabólica e dislipidemia. Aprovada na Europa em junho do ano passado, o rimonabanto atua no sistema endocanabinóide, ligado ao controle do apetite e no acúmulo de gordura.
Essa substância foi descoberta há cerca de 20 anos, quando foram estudados os efeitos provocados pelo THC, princípio ativo da maconha. Os pesquisadores chegaram à conclusão que a famosa “larica”, que leva ao consumo desenfreado de comida, ocorre pela ativação de certas substâncias e receptores cerebrais que aumentam o apetite e fazem com que a gordura seja armazenada pelo organismo.
De acordo com os estudos, pacientes tratados diariamente com 20mg da droga apresentaram redução significativa na circunferência da cintura e no peso. Além disso, melhorou os níveis de HDL (o bom colesterol), de triglicerídeos e na sensibilidade à insulina. O estudo avaliou por dois anos pacientes obesos ou com sobrepeso com risco elevado de desenvolver diabetes e doenças cardiovasculares.
Segundo o endocrinologista Márcio Mancini, da Universidade de São Paulo (USP), os efeitos colaterais associados ao rimonabanto são náusea e tontura, quadros leves de ansiedade ou humor deprimido. Menos de 1% dos usuários apresentaram quadros mais graves de ansiedade e depressão, o que pode levar à interrupção do uso.
Um comunicado da Anvisa diz que o medicamento deve fazer parte de um tratamento que inclui dieta saudável e exercícios. É mais indicado para pacientes obesos, com Índice de Massa Corpórea (IMC) maior ou igual a 30kg/m2, ou com sobrepeso (IMC maior do que 27kg/m2) com fatores de risco associados.
Segundo o endocrinologista, o medicamento não deve ser utilizado por aqueles que querem apenas perder alguns quilos, por razões estéticas. No Brasil, a obesidade atinge cerca de 14% das mulheres e 9% dos homens.