Nacional

Invadida fazenda de presidente da UDR

Por Cristiano Machado | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Sandovalina - Integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) invadiram na madrugada de ontem a fazenda Ipezal, em Sandovalina (620 km a oeste de SP), no Pontal do Paranapanema.

A área pertence ao presidente nacional da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antônio Nabhan Garcia, 46 anos, que afirma que a propriedade é “altamente produtiva”. O ruralista dono da fazenda classificou o ato de “ação política” e “pura provocação”.

De acordo com a Polícia Militar, cerca de 150 pessoas entraram na propriedade por volta das 6h30. Líderes do MST e Rafael Nabhan Garcia, irmão do presidente da UDR e administrador da propriedade, trocaram acusações sobre eventuais disparos de armas de fogo durante a invasão.

Os sem-terra alegaram que foram recebidos a tiros por funcionários da propriedade durante a invasão. Já o administrador da área registrou boletim de ocorrência acusando os sem-terra de terem atirado.

Conforme a PM, ninguém ficou ferido e nenhuma arma foi apreendida no local. Um inquérito policial será aberto para apurar os fatos. “Essa ação simboliza a luta contra o agronegócio, contra a monocultura da cana-de-açúcar que se alastra pela região e é também uma forma de denunciar e cobrar das autoridades do Estado soluções para o problema das terras devolutas do Pontal, como essa que ocupamos”, afirmou Maria Aparecida Gonçalves, da direção regional do MST.

Em menos de duas semanas, foi a quarta invasão de fazenda na região realizada pelos mesmos membros do MST no chamado “abril vermelho”.

Eles já haviam invadido as fazendas São Luiz, em Presidente Bernardes; São Francisco e Santa Cruz, em Mirante do Paranapanema.

Ontem, eles deixaram a fazenda Santa Cruz e foram direto para a Ipezal, na cidade vizinha, estratégia batizada pelo próprio movimento de “tour pelas terras devolutas do Pontal”.

“Daqui para a frente vai ser assim: sairemos de uma (fazenda) e entraremos em outra até que os governos do Estado e federal façam realmente a reforma agrária”, disse Maria Aparecida.

Além das fazendas, neste mês, o MST invadiu escritórios do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) e quatro agências bancárias federais na região.

“Vamos denunciar e carimbar as terras devolutas do Pontal porque as famílias estão cansadas de esperar por promessas. Tem gente que já tem cinco anos morando debaixo de lona preta na beira da estrada esperando por terra”, disse a líder sem-terra.

Reintegração

O advogado da UDR, Joaquim Botti Campos, esteve no local ontem e registrou boletim de ocorrência. Ele afirmou que pedirá amanhã a reintegração de posse da área à Justiça.

Luiz Antônio Nabhan Garcia declarou que esta foi a terceira invasão na área (as outras ocorreram em 1995 e em 2005).

Segundo ele, a propriedade tem 366 hectares e é destinada à pecuária de corte. “Temos 500 cabeças de gado lá. A propriedade é altamente produtiva e particular. Isso que eles fizeram é uma ação política, pura provocação”, afirmou.

Nabhan Garcia declarou ainda que considera que o governo federal é “conivente e dá respaldo aos atos do MST”.

“Enquanto o governo federal reconhecer essa organização criminosa como movimento social ele estará declarando guerra ao direito de propriedade e a quem realmente produz nesse país. Isso só ocorre porque o governo é conivente e dá respaldo para esse bando.”

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