Um candidato único à prefeitura, oriundo da Câmara Municipal de Bauru, que possa aglutinar as diferentes forças políticas bauruenses em torno de seu nome. É o que defende o vereador Primo Mangialardo (PV) para as eleições 2008, que definirão o novo chefe do Executivo local. A proposta divide opiniões entre os parlamentares.
Mangialardo justifica a idéia argumentando que a população bauruense já está “cansada” das “brigas” políticas geradas pelas diversas ramificações partidárias. “Muitas dizem já ter ficado antipáticas a alguns nomes porque, em determinado momento, falam que vão ser candidatos e depois falam o contrário. A população não agüenta mais isso, pois se sente enganada e reclama das várias brigas e facções partidárias”, ressalta o vereador.
A iniciativa, segundo o parlamentar, também colaboraria para evitar as manifestações fisiológicas alimentadas pela existência do segundo turno. “O segundo turno, em que pese ser um instrumento democrático, serve para congregar pessoas que perderam em torno de um favorito. O segundo turno facilita os acordos, as negociatas, o toma-lá-dá-cá e é bom para negociar, escolher cargos e tentar reunir pessoas que não têm o mesmo ideal. Aí vira esse rolo que assistimos hoje no País”, considera Mangialardo. E acrescenta:
“No quadro político de hoje em Bauru, onde seis grupos políticos já se articulam para lançar candidatos, conforme o JC noticiou, dois vão para segundo turno e os outros quatro vão para seus cantos. Quanto custariam as negociações com os que perderam depois para o município?”
Para o parlamentar verde, os representantes do Legislativo têm o perfil adequado para assumir a prefeitura diante do atual momento vivido pela cidade. “Todas as alterações e informações do município passam pela Câmara, seja de projetos, notícias ou simples comentários políticos. E para alguém assumir a prefeitura, tem de ser uma pessoa muito bem informada. Como sabemos o que está ocorrendo e, principalmente, votando o Orçamento para o primeiro ano do próximo prefeito, alguém da Câmara é capacitado e tem o perfil para o cargo. Agora é a hora de agregarmos e precisamos de alguém que gosta, vive e está o tempo todo em política”, raciocina.
Segundo Mangialardo, com uma candidatura única proveniente do Legislativo a população não correria o risco de assistir um prefeito assumir o cargo e, diante dos problemas encontrados, alegar que não conhecia a realidade administrativa. Por fim, Mangialardo adianta que sua intenção, ao defender a candidatura única, também não é a de “legislar” em causa própria. “Não sou candidato, não quero ser e não é do meu interesse e vontade ser. Quero ajudar como muita gente e, se quisermos fazer isso, acho que poderíamos abrir mão do ego e das vontades pessoais em benefício da cidade”, conclui o vereador.
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Consulta popular
O presidente da comissão provisória do PTB, Ricardo Oliveira, não se entusiasma com a proposta do parlamentar verde e sustenta a necessidade de consulta popular. “Acho muito difícil qualquer um de nós, sendo homens públicos ou políticos, com ou sem mandato, se arvorar e interpretar aquilo que o povo pensa. A princípio, não vejo com bons olhos tentarmos conduzir para um processo pensando no que o povo deve estar achando. Que façamos uma consulta popular para saber se realmente é isso o que a população bauruense quer”, enfatiza Oliveira, para depois completar:
“A partir daí, podemos ter base sólida para sentar e discutir, senão acho muita pretensão nossa nos reunirmos porque achamos que a população acha isso bom. Temos de ver até que ponto essa suposta via única seria interessante para as várias tendências políticas e camadas da população. Também é preciso ter cuidados nessas escolhas únicas porque corremos o risco de simplificarmos muito a democracia. A beleza da democracia, que agora começa a se consolidar e a atingir sua maturidade no Brasil, é a pluralidade, além das opções de idéias, correntes e propostas e debatê-las, dando opção de escolha à população.”
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Opiniões
A proposta de lançamento de um nome único originário da Câmara Municipal para disputar a prefeitura em 2008 está longe de ser unanimidade entre os políticos locais. A idéia, segundo Mangialardo, já contaria com a simpatia do vereador Antonio Faria Neto, líder do PDT em Bauru, que ontem não foi encontrado pela reportagem do JC para comentar o assunto.
O vereador Antonio Carlos Garmes, líder da bancada do PSDB na Câmara, não descarta a hipótese, mas considera melhor a diversidade de candidaturas. “Acho que quanto mais candidatos existirem, melhor, porque a população vai ter mais opções para escolha. Mas se houver alguma possibilidade de que haja ampla coligação, não vejo problema. Apesar disso, creio que candidato único é utopia e até falei outro dia que o bom seria termos uns 20 candidatos, como empresários, políticos, industriais e pessoas de diversos segmentos sociais. Mas não é de se afastar a idéia, pois em política tudo é passível de ser analisado”, pondera.
Outro que segue igual raciocínio é o petista José Carlos de Souza Pereira (PT), o Batata, para quem a idéia é impossível de concretizar-se na prática.
“É muito difícil porque os partidos têm histórias, formações e representações diferentes. Esse candidato único iria representar quem? Qual a história programática dele? Seria lançado por qual partido? A comunidade tem interesses distintos, e em política não se consegue agradar 100% das pessoas. Se Bauru fosse uma cidade menor eleitoralmente falando, seria possível conseguir a candidatura única, mas pela diversidade de posições políticas que temos, é complicado conseguir essa unificação”, finaliza.