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Chamem o garçom!


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Como sabem, não há almoço de graça. Uma hora, a conta chega. Somos responsáveis por nossas escolhas, inclusive pelas de natureza político-eleitoral. Que o digam os milhões de brasileiros que estão desempregados ou vivendo de “bicos”, sem direito à Bolsa-Família.

Nos últimos anos, apesar de um cenário internacional extremamente favorável, a economia brasileira andou a passos de cágado. São várias as razões que impedem um maior – e para lá de necessário – crescimento do país. Em razão do espaço exíguo, vou me concentrar em apenas uma delas: exceto os muito ricos ou amigos da corte, somos todos vítimas do que se poderia chamar de preconceito ideológico do governo e de sua base de apoio no Congresso em relação à parceria entre o Poder Público e a iniciativa privada (PPP).

Esse preconceito ideológico – que se tem manifestado de diversas formas – faz com que o país continue desperdiçando a oportunidade de captar um volume significativamente maior de recursos privados, hoje abundantes no mercado. Resultado: rodovias, ferrovias, portos e hidrovias a clamar por investimentos urgentes e vultosos, a espera de um dinheiro que, não obstante a elevada carga tributária, o governo não tem nem terá. Nem é preciso lembrar o quanto urge, também, destinar verbas para os setores de energia e saneamento básico. Não há de ser por acaso que, nos últimos quatro anos e quatro meses, o governo federal não fez nenhuma concessão onerosa de rodovia à iniciativa privada. O que fez foi promover, no ano passado, uma mega-operação tapa-buracos em pleno período de chuvas. Uma medida cuja legalidade é alvo de questionamento do Tribunal de Contas da União (TCU).

Hoje, no Congresso Nacional, só se vota o que o Palácio do Planalto quer. O Parlamento, por conta da ampla maioria situacionista, virou uma extensão do Executivo. Para impedir a discussão e votação de projetos importantes para o país – como o que trata da lei do gás e o que cuida dos marcos regulatórios das agências reguladoras –, o governo põe e dispõe das Medidas Provisórias, tranca a pauta e ainda acusa os que não rezam pela sua cartilha de obstruir os trabalhos legislativos.

Enquanto isso, o país continua a desperdiçar oportunidades de obter investimentos privados e de, conseqüentemente, crescer, gerar empregos, renda e receita para os cofres públicos. O problema é que, logo, logo, o garçom virá com a conta salgada. Mas, então, será tarde para reclamar da qualidade do almoço.

O autor, Arnaldo Madeira, é deputado federal pelo PSDB-SP - dep.arnaldomadeira@uol.com.br e dep.arnaldomadeira@camara.gov.br

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