Reino Unido - O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, anunciou ontem que “em poucas semanas’’ não será mais o chefe de governo do país. Também ontem, numa comemoração dos dez anos da vitória dos trabalhistas sobre os conservadores, a corrida em 1997, pela primeira vez Blair endossou publicamente o nome de Gordon Brown, seu ministro das Finanças, para o substituir.
“Provavelmente um escocês será o primeiro-ministro deste país, e ele é alguém que construiu uma das economias mais fortes do mundo e quem eu sempre disse que daria um ótimo premiê’’, disse Blair, em clara alusão ao escocês Brown, mesmo que sem mencionar seu nome.
Tony Blair, que fez o anúncio num comício do Partido Trabalhista na Escócia, onde haverá eleições parlamentares na quinta-feira, afirmou que na semana que vem deve definir a data exata de sua renúncia.
Cerca de 48 horas depois de Blair renunciar, um colégio eleitoral de membros do Partido Trabalhista se reunirá para endossar o nome de Brown como novo premiê. Segundo o jornal britânico “Guardian’’, o partido cogita a possibilidade de que o colégio se reúna no dia 30 de junho ou 1 de julho.
Artífices do reerguimento do Partido Trabalhista em 1997, após 18 anos de governo dos conservadores, Brown e Blair supostamente haviam chegado a um pacto, ainda em 1994, para para dividir o poder assim que chegassem lá.
Divergências entre os dois marcaram boa parte dos dez anos de administração dos trabalhistas, e membros do partido mais fiéis a Blair tentaram impulsionar um outro nome para o substituir, em vão.
Em artigo publicado no jornal “The Sun’’ de ontem Brown afirmou estar “honrado de chamar Tony Blair de velho amigo na política; claro, com os inevitáveis altos e baixos da caminhada’’.
“Sob sua liderança’’, escreveu o ministro das Finanças, “o novo Partido Trabalhista ressurgiu para ficar’’. Mas pesquisa publicada por outro periódico britânico, o “Independent’’, revela que, para 69% dos entrevistados, Blair será lembrado pela participação do Reino Unido na Guerra do Iraque.
Em segundo lugar como seu legado, 9% os britânicos apontaram a relação do premiê com o presidente dos EUA, George W. Bush. Quanto ao processo de paz na Irlanda do Norte, que Tony Blair ajudou a conduzir e que, com a formação de um governo de aliança entre unionistas e nacionalistas, encerrou cerca de 30 anos de violência, foi apontado como principal contribuição do premiê por 6%.