A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que o diabetes tipo 1, que afeta crianças, cresce cerca de 3% ao ano. Em virtude do aumento no número de meninas e meninos com a doença e outras moléstias ‘de adultos’, como hipertensão e colesterol, a Associação dos Diabéticos de Bauru (ADB), em parceria com as escolas da rede pública e privada, faz um levantamento do número de crianças até 15 anos portadoras do diabetes. Para atender esse público, a indústria aumenta o leque dos alimentos light e diet.
De acordo com o endocrinologista Carlos Negrato, Bauru é a única cidade do Brasil a pesquisar se as crianças são diabéticas - o trabalho começou há 20 anos. O médico indica que o censo deste ano vai revelar se a cidade acompanha o crescimento do tipo 1 da doença, como apontam os dados da OMS.
O questionário é aplicado aos alunos ou seus pais sob orientação dos professores e apenas serão repassadas à associação as respostas que indicarem a presença do diabetes, diz a dirigente regional de ensino, Vera Nilce Jarussi Gomes de Sá. Ela ainda afirma que o projeto pode ser estendido a outras cidades da região: “Por agora, procuramos dar ênfase às escolas públicas para orientar os pais a identificar a doença e dar o tratamento adequado às crianças”, completa. Só na rede estadual, cerca de 45 mil alunos devem ser pesquisados.
O questionário aplicado em toda rede de ensino da cidade visa identificar as crianças diabéticas e saber há quanto tempo elas adquiriram a doença. Além disso, salienta Negrato, o principal objetivo é saber se o tratamento está sendo feito e de que forma. O endocrinologista indica que ao contrário do diabetes progressivo, que ataca os adultos, o diabetes infantil – ou tipo 1 – é abrupto e, se não tratado, pode levar a criança à morte.
No caso dos adultos, o tratamento, geralmente, alia a dieta orientada por um médico, prática de exercícios físicos e medicação por via oral. Já para as crianças, o tratamento é baseado em dietas, exercícios e na administração de insulina. O desenvolvimento do diabetes tipo 1 dá alguns sinais como a perda de peso da criança sem causa aparente.
Adultos
Entre os adultos, o número de diabéticos é alto. Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 7,3% das pessoas entre 30 e 69 anos têm diabetes. Porém, a estimativa para o Estado de São Paulo é de que a porcentagem de diabéticos varie entre 11% e 12% da população, segundo o diretor da ADB, José Roberto Eleutério de Oliveira. Ele ainda salienta que o crescimento do diabetes entre crianças e adultos é preocupante, já que a doença pode levar a outras complicações que vão de problemas cardiovasculares a amputações e cegueira.
Oliveira, diabético há 15 anos, aponta que parte das pessoas com diabetes tipo 2, a que se manifesta em adultos, convive com a doença por anos e não se dá conta da patologia. O diabetes, especialmente o tipo 2, pode vir acompanhado por hábitos de vida que levam o indivíduo à obesidade e à hipertensão, como o sedentarismo e a ingestão de uma alimentação hipercalórica.