Tribuna do Leitor

Paulo Neves e o show da Manu


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O JC está de parabéns por ter publicado a carta de Paulo Neves, diretor de teatro e o show da Manu. Parabéns por quê? Porque nunca tinha visto tamanha sinceridade, entrega, despojamento de uma pessoa, principalmente em se tratando de um show musical - onde todos querem aparecer do músico até o contra-regra. Paulo Neves sai de cena com muita dignidade, não quer nada para ele, aliás, ele não quer nada para ele há alguns anos. Conheço muito bem o professor e mestre Paulo Neves, afinal, tive a honra de ser aluna de atualidade nos bons idos de 1993, fiz aquitetura e depois psicologia, e sempre acompanhei à distância o Paulo.

“A vida não tem replay”, uma frase extraordinária, profunda, que está na carta. Ele, ao final, agradece a Manu. Despojamento ou tristeza? A carta me passa tristeza, falta de colo, falta de carinho, compreensão, falta de diálogo, a impressão que fica é que dia 7 de maio acabou tudo. A impressão que fica é que o grande Paulo Neves está muito sozinho. Grande é uma colocação minha porque tenho muita admiração por ele. No momento em que os filhos são retratados nos jornais, pelo grande trabalho que fazem, pela boa educação e correção com que foram criados, Paulo Neves passa um atestado de humildade e de tristeza.

O que me passa é que Paulo Neves está com medo de alguma coisa, talvez de querer sair de tudo, talvez magoado. O que me passa é que Paulo Neves, apesar de tudo, está muito sozinho, frio, triste e isolado, ou quem sabe acuado!

E tem produzido, dirigido coisas muito boas: “Um Grito Parado no Ar”, “Antígona”, “Plínio Marcos Agora”, espetáculos de muita qualidade apresentado em janeiro na Mostra de Teatro do Curso Livre que ele dirige tão bem!

Pena que Paulo Neves está muito triste e acho que até os elementos do show não se deram conta disso, como ele mesmo disse “a vida não tem replay”. Amigo, você nunca teve medo de nada, você sempre ficou sozinho demais, as pessoas sugaram muito você, as pessoas tiraram muito de você... e agora você não tem colo, desculpe por escrever esta carta, mas fiquei triste neste primeiro de maio.

Sua eterna aluna e grande admiradora.

Maria Luiza Pereira Cavalcanti - arquiteta e psicóloga - residente em São Paulo

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