Ancara - Em meio à crise que se abateu sobre a Turquia devido à contestada disputa presidencial, um comitê parlamentar aprovou a data de 22 de julho para a realização de novas eleições gerais no país.
A crise foi detonada pelo temor de fortalecimento da influência islâmica no governo após a vitória em primeiro turno de um candidato governista à Presidência, que gerou protestos em defesa da laicidade do Estado.
A candidatura única do islâmico Abdullah Gül para presidente gerou forte tensão, além da rejeição dos militares turcos.
Boicotado pela oposição, o primeiro turno da eleição foi anulado pela Corte Constitucional do país, que alegou que não foi alcançado um quórum mínimo de parlamentares para a votação.
Em resposta à anulação, o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, propôs a antecipação das eleições gerais e uma reforma que incluiria a universalização do voto para presidente (hoje a eleição é indireta).
Erdogan sugeriu a antecipação para 24 de junho. A eleição inicialmente estava marcada para novembro.
O comitê constitucional do Parlamento decidiu aprovar a nova data de 22 de julho para a eleição geral em uma reunião na noite de ontem.
A proposta deverá ser aprovada em assembléia geral provavelmente hoje.
O comitê aprovou também uma proposta de emenda que reduziria a idade mínima de candidatos à eleição para 25 anos.
Não está claro no momento se esta proposta será debatida pela assembléia geral. Atualmente, a eleição presidencial na Turquia é indireta e realizada no Parlamento.
Para vencer, um candidato precisa de uma maioria de dois terços nos dois primeiros turnos de votação. Se isso não for possível antes do terceiro turno, a exigência cai para maioria simples.