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Terapia com células-tronco da Oswaldo Cruz devolve movimento para gatos paraplégicos

Folhapress
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Salvador - Digo tinha cinco meses quando foi atropelado e teve um trecho de sua coluna esmagado. Já Lola tinha 1 ano e 6 meses quando caiu do apartamento onde vivia, no sétimo andar, sobre um muro, o que causou uma ruptura completa em sua coluna. Tanto Digo quanto Lola fizeram jus à fama de que gatos têm sete vidas. Eles sobreviveram, mas ficaram paraplégicos (sem os movimentos dos membros inferiores e sem controle dos músculos que controlam a eliminação de fezes e urina) e, provavelmente, teriam como destino a eutanásia.

Uma terapia inédita com células-tronco, desenvolvida por cientistas da Fundação Oswaldo Cruz na Bahia (Fiocruz-BA), em parceria com pesquisadores da Escola de Veterinária da Universidade Federal da Bahia (Ufba), porém, fez renascer as esperanças de que eles voltem a ter uma vida normal - e que o mesmo se aplique a pessoas que ficaram paraplégicas após sofrer algum trauma.

Digo, por exemplo, passou os oito meses anteriores ao tratamento sem controle muscular ou sensibilidade do abdome até a cauda. Passado pouco mais de um mês desde que foi submetido ao procedimento, já tem controle da musculatura abdominal e arrisca os primeiros passos, acompanhados por fisioterapeutas. Lola passou pelo mesmo tratamento há cerca de 15 dias. Já consegue se manter em pé sem ajuda externa.

“Foi a primeira vez que um procedimento como esse foi testado em animais de maior porte, que sofreram acidentes naturais e que já tinham algum tempo de imobilidade nos membros”, conta o veterinário da Ufba e responsável pelas intervenções cirúrgicas, Euler Penha.

O pesquisador acrescenta que sua equipe está procurando mais animais - como outros gatos e cães - que tenham sofrido lesões graves na coluna para continuar os testes e os estudos.

Segundo o médico-veterinário, o tratamento consiste na aliança entre a cirurgia ortopédica - para corrigir o trauma causado na estrutura óssea da coluna - e a inserção de células-tronco no trecho lesionado da medula nervosa.

“Para conseguir as células-tronco necessárias para o tratamento, extraímos um pouco da medula óssea da bacia dos próprios gatos”, conta Penha, acrescentando que, nos mamíferos, cerca de 1% da medula óssea é formada por células-tronco. Estudos ainda vão ser realizados para precisar a porcentagem de células-tronco que viraram neurônios, para que o procedimento passe a ser mais preciso. “De momento, porém, já se pode dizer que o tratamento foi muito bem-sucedido.”

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