Outro fator que colabora para a expansão do eucalipto na região é que essa cultura não exige terra de primeira qualidade, além do fato de culturas como a cana e a laranja não serem predominantes. Além disso, como a terra de Bauru não é considerada de primeira, o preço sempre foi inferior quando comparado a outras cidades paulistas.
“70% da área de Bauru é rural. Dessa área, não chega nem a 10% a quantidade de terras de cultura de primeira. A maioria é pastagem, e isso é suficiente para plantar eucalipto. Somando isso ao acesso fácil a todas as modalidades de transporte (para escoamento das cargas, como rodovias, ferrovia, hidrovia e aerovia) e ao fato da nossa região ter se tornado praticamente uma ilha em meio a uma imensa plantação de cana, cada vez mais pessoas estão deixando de ser agricultores ou pecuaristas para arrendar terras para a plantação de eucalipto”, relata Maurício Lima Verde.
O eucalipto também não faz exigências quanto à topografia do terreno, ao contrário da cana-de-açúcar, que precisa de características específicas para o plantio prosperar.
Na avaliação dele, como negócio a expansão das plantações de eucalipto é excelente. O lado triste dessa moeda fica por conta do desaparecimento da agricultura e de agricultores.
“Em dez anos, seremos uma área ‘agroindustrializada’. Por um lado isso é triste, porque a figura do agricultor está sendo substituída pela de produtor rural, ou seja, as pessoas não trabalham mais na terra, apenas vivem do arrendamento ou venda de suas propriedades nesse momento de alta valorização”, lamenta.