O munícipe não está cuidando bem do patrimônio intelectual do qual tem direito de usufruir gratuitamente. No decorrer de 2006, 163 livros foram emprestados ao usuário e não retornaram às prateleiras das sete bibliotecas municipais. Outros 241 foram danificados precisam passar por restauração para que possam ser colocados novamente em circulação. São 404 títulos fora de uso e, provavelmente, um grande número de pessoas prejudicadas, que têm interesse em adquirir conhecimento mas não podem comprar publicações.
Ao que tudo indica, o grupo dos “devedores de livros” é formado por pessoas com grau de instrução relativamente alto e principalmente por adultos. Segundo Nilson Batista Júnior, funcionário da Biblioteca Central responsável em fazer a estatística dos livros não devolvidos, os títulos do escritor Paulo Coelho são os campeões de “sumiços”, seguidos por publicações educacionais de alto valor, ligadas principalmente às áreas médicas e de tecnologia.
“O menor número de devoluções pendentes e atraso está na seção dos infanto-juvenis. Isso mostra que as crianças estão sendo mais responsáveis que os adultos”, afirma com base no trato diário, sem possuir números específicos divididos por idade ou sexo.
Dívida de R$ 800,00
Retirar um livro da biblioteca municipal é de graça, mas quando o usuário não devolve a publicação dentro do prazo de quinze dias, passa a correr multa de R$ 0,50 diários por título. “Existem pessoas que devem R$ 500,00, até R$ 800,00”, conta Elizete Maria Barro, diretora da Divisão de Bibliotecas do município.
Ao que parece, será difícil reaver os títulos de pessoas nessa situação. “Sabemos que algumas pessoas se esquecem de entregar e ficam com vergonha de devolver depois de tanto tempo. Nós convocamos essas pessoas a comparecer às bibliotecas. No entanto, perdoar a dívida é difícil, pois trata-se de uma lei municipal. Já obrigar que ele devolva não é possível pois não contamos com poder de polícia”, afirma.
Todos os usuários das bibliotecas do município possuem cadastro nos órgãos, com número de telefone e endereço atualizados anualmente. cadastro na unidade, levando uma foto e um comprovante de endereço. De acordo com Elizete, desde abril do ano passado, a divisão passou a fazer rígido controle dos atrasos. “Passamos a ligar nas casas cobrando e também enviar solicitação por escrito caso não a pessoa não colabore”, diz.
Para a jornalista Aline Zero Soares, que freqüenta a biblioteca central para consultar obras e estudar, não devolver um livro emprestado demonstra a falta de possível consciência coletiva do cidadão. “É uma falta de respeito. É não pensar nas outras pessoas poderiam e precisariam utilizar o livro. Isso evidencia a falta de consciência de que se trata de uma instituição pública”, opina.
Entre 17 e 21 de maio, a biblioteca Rodrigues de Abreu ficará fechada para empréstimos e devoluções, em razão da atualização do software de gerenciamento da unidade. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (14) 3235-1312.
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Limiar tolerável
As sete bibliotecas municipais de Bauru (Centro, Mary Dota, Geisel, Vila Tecnológica, Jardim Progresso, Falcão e Tibiriçá) possuem cerca de 13 mil usuários e 40 mil livros. Somente no ano passado foram efetuados 15.766 empréstimos. Segundo a bibliotecária da unidade Centro, Maria Luiza Zanzarini, o cruzamento desses dados demonstra que o índice de livros não devolvidos ainda está dentro do nível considerado tolerável. “Mas bom seria se fosse zero”, deseja.
No entanto, se somado ao número de publicações que são devolvidas com danos que impedem a leitura, o índice aumenta e preocupa, principalmente pelo fato do usuário não demonstrar pudor em arrancar páginas, de um livro que não pertence. “Outro dia pegamos um livro de arte que a pessoa arrancou uma ilustração e colou uma cópia no lugar”, conta a bibliotecária.