Cultura

Super-herói universal

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 4 min

Está intensa a procura por ingressos para assistir a “Homem-Aranha 3”, que estréia oficialmente hoje nas salas do Multiplex Bauru Shopping e do Cine’N Fun do Alameda Quality Center, em Bauru. Na fila, os compradores são crianças vestidas com a fantasia do super-herói, marmanjos com seus 20 e tantos anos e senhores de meia-idade. Todos ansiosos para conferir o jovem Peter Parker (Tobey Maguire) travar um duelo contra adversários, e o maior de todos: ele mesmo.

No Multiplex, a expectativa é que a venda de ingressos aumente cerca de 47% em relação à registrada no lançamento de “Homem-Aranha 2”, em 2004. Para dar conta de tantos espectadores, quatro salas do complexo estão exibindo o filme. “De meia em meia hora haverá sessões”, afirma a gerente do Multiplex, Gabriela Valderramas.

“Deve ser o blockbuster do ano”, espera a diretora de recursos humanos do Alameda Quality Center, Marcela Constantino. Isso porque 2007 ainda conta com as grandes produções de “Piratas do Caribe – No Fim do Mundo”, a terceira aventura de “Shrek” e “Harry Potter e a Ordem Da Fênix”.

Para não perder a viagem, a gerente do Multiplex recomenda a compra de ingressos antecipados, que pode ser feita na própria bilheteria ou na Internet, pelo site www.ingresso.com.br . O mesmo conselho é dado por Constantino. “Se a pessoa chegar na hora, corre o risco de haver poucos ingressos disponíveis. Já temos ingressos vendidos até o dia 10”, diz. Uma semana antes do lançamento, ambas empresas começaram a venda de ingressos.

No Cine’N Fun, os fãs mais grandinhos podem evitar o tumulto das sessões vespertinas nas duas sessões diárias do fim da noite e na madrugada de sexta para o sábado e do sábado para o domingo, às 2h10.

Fanáticos

A diferença de idade entre Rafael Domingos Mastrangelli e Gabriel de Oliveira é de quase 20 anos, mas os dois têm algo em comum: o fascínio pelo Homem-Aranha. Com 6 anos, Rafael recebe a reportagem do JC com a roupa do super-herói, a luva, a máscara, quadrinhos, tênis, bola e um quebra-cabeça. Falta apenas um pequeno detalhe: os poderes.

Só depois de dois leves acidentes é que o garoto acredita – ou finge acreditar, para a tranqüilidade da família - que o Homem-Aranha “só existe na cabeça da gente”, diz Rafael, que logo depois emenda: “Mas meus amigos falam que é real”. O garoto se apaixonou pelo super-herói logo após o lançamento do segundo longa, em 2004, quando tinha 3 anos.

Foi com essa idade que ele tentou escalar paredes. Primeiro no apartamento da avó, tentativa que só foi descoberta porque o gesso por onde ele subia não agüentou o peso e quebrou. “Escutei o barulho e corri para o quarto. Ele estava escondido embaixo da cama dizendo que queria fazer o mesmo que o Homem-Aranha”, lembra a avó, Terezinha Aragão Domingos.

Depois, na escolinha, saltou do escorregador em direção à parede, e machucou o nariz. “Por causa disso, a gente precisou desmistificar um pouco a história, porque ficamos com medo dele se machucar mais”, conta Terezinha. Em contrapartida, a avó permite que o garoto espalhe barbantes pelo apartamento, lê as histórias em quadrinhos e o acompanha ao cinema. Rafael não vê a hora de conferir a nova história do seu ídolo, que ele sabe de cor.

Com 25 anos, Gabriel acumula mais de dez anos de dedicação ao Homem-Aranha. Apesar de afirmar que não coleciona histórias em quadrinhos há algum tempo, ele guarda mais de 100 revistas em sua casa. “Continuo acompanhando a história pela Internet e pelo cinema, mas comprar gibis está meio inviável financeiramente”, coloca. Segundo Gabriel, no mercado, são lançadas três publicações do herói ao preço unitário de R$ 7,00 em média.

Entre Superman, Batman e outros figurões dos quadrinhos, o Homem-Aranha é o preferido de Gabriel por sua personalidade diferente, “mais humana”. O Homem-Aranha foi o primeiro herói fruto do sentimento mais sombrio da culpa e o primeiro também a ganhar dinheiro com o uso de seus poderes, já que Peter Parker vendia fotos do Homem-Aranha a jornais para ajudar a tia viúva.

Gabriel tem exemplares adquiridos em sebo desde a chegada do Homem-Aranha ao Brasil, em 1968 – seis anos após do lançamento nos Estados Unidos. Para ele, a década de 70 é a melhor fase do herói. “É uma época que não é minha, mas ele era mais verdadeiro, mais original”, coloca. Quanto às adaptações das histórias para o cinema, Gabriel diz que gosta, mas evita comparações. “Eu não fico analisando. Tanto as histórias quanto o filme são entretenimentos descompromissados”, desconversa.

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