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PF detém grupo acusado de negociar áreas ambientais em Santa Catarina

Folhapress
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São Paulo - A Polícia Federal prendeu ontem, em Florianópolis e Porto Alegre, 19 suspeitos de atuar em esquema de venda de leis e atos administrativos em favor de empreendimentos imobiliários na capital catarinense.

Foram expedidos mandados de prisão para 22 pessoas, entre elas um vereador de Florianópolis, dois secretários municipais e o chefe do órgão ambiental da cidade, além de nove empresários. O presidente da construtora Habitasul, Péricles Druck, e Fernando de Mattos, dono do resort Costão do Santinho, um dos mais luxuosos do país, estão entre os presos.

A Operação Moeda Verde investiga suspeitas de corrupção na liberação de autorizações para construção em áreas da União ou de proteção ambiental. O nome da operação é uma referência a negociações em que “a moeda de troca envolve o ambiente”, segundo a PF.

A delegada Julia Vergara disse que o suposto esquema “fazia uso da máquina pública de acordo com os interesses de quem ocupava o cargo’’. Afirmou ainda que os servidores estaduais e do município recebiam propina para chancelarem empreendimentos ilegais. As edificações eram construídas ou causavam impacto em áreas protegidas por leis ambientais federais ou localizadas em área da Marinha.

A investigação começou em agosto de 2006, na apuração de suspeita de crime ambiental no loteamento milionário denominado Campanário, que a construtora Habitasul ergue na praia de Jurerê Internacional. O metro quadrado no loteamento pode custar até R$ 10 mil.

O valor mínimo é R$ 850. Segundo a reportagem apurou, a PF suspeita que o coordenador do projeto pela Habitasul, Hélio Chevarria, preso ontem, pagou propina a funcionários públicos e a políticos para obter licença ambiental e construir na área de proteção ambiental. O presidente da Habitasul e outro diretor da construtora foram presos em casa, em Porto Alegre.

O vereador Juarez Silveira (sem partido) é apontado pela PF como o cabeça do esquema. A apuração detectou autorização irregular para a construção do empreendimento habitacional Vilas do Costão, expansão do resort Costão do Santinho, localizado na praia do mesmo nome. Laudo diz que a obra compromete o lençol freático daquela encosta.

O empresário controlador do shopping, Paulo Cezar Maciel da Silva, também teve a prisão temporária decretada, mas ele não foi encontrado pela PF ontem. Segundo a PF, o dono do shopping conseguiu, por meio de tráfico de influência, mudar o plano diretor de Florianópolis para “legalizar” a obra.

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