Tanto a defesa quanto a acusação dos policiais militares envolvidos na morte do mecânico Jorge Luiz Lourenço, 22 anos, interpretaram o laudo da exumação do crânio do rapaz, divulgado ontem, como satisfatório para seus clientes.
“O resultado favorece totalmente. Não havia possibilidade de visão para saber se tinham atirado na cabeça, no peito, na perna”, informa a advogada Fernanda Cabello da Silva Magalhães, cujo escritório foi contratado pelos policiais.
De acordo com ela, o laudo também bate com as informações transmitidas durante a reconstituição do caso, ocorrida na última quinta-feira. Na ocasião dos fatos, dia 5 de abril, os três policiais triangularam a abordagem do rapaz, segundo a defesa.
“Atiraram contra o clarão dos tiros que (o mecânico) desferiu em relação aos policiais. Cada um (dos PMs) teve uma atitude distinta. Um estava numa proximidade. Outro, na outra. Então, (o mecânico) pode ter virado a cabeça para atingir um e recebeu um tiro relacionado a outro. A gente não sabe. Isso não tem como saber exatamente porque a bala não foi localizada”, comenta. Magalhães acredita que, com a divulgação do resultado de outros laudos, tudo vai ficar esclarecido.
Outro lado
Para Rodrigo Garms, advogado da família do mecânico, o resultado da segunda exumação também foi classificado como excelente, mas para acusar os policiais. “Tendo em vista que o tiro se deu pelas costas, acertando a cabeça da vítima, a versão dos policiais fica isolada nas provas dos autos”, diz.
De acordo com Garms, os policiais teriam dito que o mecânico teria parado a motocicleta para revidar os tiros. “Considerando a superioridade numérica dos policiais, há indícios suficientes de homicídio doloso qualificado por circunstâncias que impossibilitaram a defesa por parte da vítima”, informa Garms.
Ele ainda ressalta que com as provas colhidas até agora e outras que serão carreadas nos autos, não medirá esforços para que o policial que acertou o mecânico seja processado e levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
“Quero ressaltar que o fato ocorrido com o Jorginho é isolado, tendo em vista que a Polícia Militar de Bauru é competente e atende aos anseios da coletividade. Não podemos transformar uma exceção numa regra. Os demais policiais devem ser respeitados porque cumprem exatamente a lei”, conclui Garms.