Política

Deputados novatos são mais assíduos

Alceu Luís Castilho - Correspondente do JC em Brasília
| Tempo de leitura: 4 min

Os números mostram que os deputados paulistas de primeira viagem são mais assíduos que os “veteranos”. Durante as 60 primeiras sessões em plenário, 34 parlamentares que assumiram pela primeira vez um mandato desde o início faltaram 212 vezes; 35 deputados em pelo menos segundo mandato faltaram 251 vezes. Isto sem contar as 51 faltas de Enéas Carneiro, falecido no dia 6 de maio.

No caso da presença em comissões temáticas, a situação se agrava. Foram 95 ausências dos “novatos”, contra 166 dos veteranos. No caso das ausências não-justificadas nas comissões, os veteranos atingem praticamente o dobro (128) das faltas dos novos deputados (65).

Os veteranos só ganham dos novatos no caso das faltas sem justificativa em plenário: 65 contra 74. O levantamento foi feito pela reportagem do Jornal da Cidade, a partir de dados oficias da Câmara. As sessões analisadas vão do início do mandato até a terça-feira, dia 8.

Compõem a bancada dos “novatos” todos aqueles que nunca tiveram um mandato na Câmara – como Clodovil (PTC), Frank Aguiar (PTB) – e dois que tiveram passagem efêmera, como suplentes, caso específico de Emanuel Fernandes (PSDB) e João Dado (PDT). São ao todo 34 deputados.

Entre os “veteranos” estão os parlamentares que já tiveram pelo menos um mandato completo antes de 2007. Estão nessa lista deputados em segundo mandato, como Vicentinho (PT) e Marcelo Ortiz (PV), e alguns que lá estão há dezenas de anos, como Arnaldo Faria de Sá e Ricardo Izar, ambos do PTB. Alguns parlamentares voltaram à Casa após anos de ausência, como Paulo Maluf (PP) e José Aníbal (PSDB).

Assíduos x faltosos

Doze deputados paulistas tiveram 100% de presença em plenário, nas 60 primeiras sessões: quatro do PT, três do PV, dois do PSDB, dois do PMDB e um do PTB, Frank Aguiar. Mas Ricardo Berzoini (PT) faltou muito nas comissões e não pode ser considerado um deputado assíduo. Entre esses 12, William Woo (PSDB) teve fôlego para participar de todas as 44 reuniões em comissões temáticas – e pode ser considerado o mais “caxias” da bancada paulista, seguido por Carlos Zarattini (PT).

Vinte e dois deputados tiveram até três faltas em plenário. Na lista dos mais faltosos estão 31 deputados que faltaram em mais de 10 sessões ou a mais de 20% das reuniões temáticas. Os cinco deputados do PP aparecem entre os dez paulistas mais faltosos: Paulo Maluf, Aline Corrêa, Celso Russomanno, Vadão Gomes e Beto Mansur.

Após o falecido Enéas (PR), que estava doente, o mais faltoso foi Carlos Sampaio (PSDB), que não esteve em 37 sessões do plenário – mas justificou 31 dessas faltas. Um dos que menos justificaram foi seu colega de bancada José Aníbal. Ele faltou 11 vezes, e deixou de ir a 10 entre 36 reuniões nas comissões.

Já o deputado pelo PV de Jaú, José Paulo Tóffano, integra o time dos novatos que participa de forma assídua de comissões e votações, como a frente parlamentar de vereadores e o Parlamento Latino Americano, da qual participa.

Projetos e discursos

Veteranos e novatos apresentaram, juntos, 139 projetos de lei este ano: 73 a 66 para os mais antigos. Os PLs são um dos vários recursos que eles têm para atuarem na Câmara além dos discursos. No item “proposições” se agrupam os PLs, projetos de lei complementares, homenagens, pedidos de audiência e outros tipos de requerimento ou projeto.

Na prática, há um desestímulo generalizado à apresentação de projetos de lei, por conta da profusão de projetos oriundos do Executivo. Os novatos sentem-se ainda mais desestimulados a apresentá-los. Mas Clodovil e Frank Aguiar, muito cobrados por terem vindo do meio artístico, estão entre os deputados paulistas que mais apresentaram projetos.

Os veteranos são ainda hegemônicos na realização de discursos em plenário: foram 990 a 331. Mas isso se deve em boa parte à concentração dos discursos nos membros da Mesa Diretora e nos líderes de bancada. Assim, a maior parte dos discursos dos veteranos (603), quase a metade do total de 1.331 discursos paulistas, foi feita por apenas quatro deputados: Arlindo Chinaglia (presidente da Câmara), Antônio Carlos Pannunzio (líder do PSDB), Ivan Valente (PSOL) e Marcelo Ortiz (PV).

Os deputados Vicentinho (PT) e, principalmente, Arnaldo Faria de Sá (PTB), porém, discursaram tanto quanto ou mais que líderes partidários. Faria de Sá, líder na apresentação de proposições, só perdeu para Arlindo Chinaglia na hora do microfone: falou 160 vezes, quase a metade das 359 intervenções do presidente da Casa.

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