Economia & Negócios

Novo salário de políticos é criticado

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Botucatu - O reajuste de salários de vereadores, prefeito, vice e secretários em Botucatu (100 quilômetros de Bauru) aprovado pela Câmara Municipal está gerando muitas críticas aos políticos botucatuenses. Os novos vencimentos passam a vigorar em 1 de janeiro de 2009, quando os candidatos eleitos no ano que vem - Executivo e Legislativo - assumem seus cargos.

Segundo o projeto aprovado pelo Legislativo anteontem, o próximo prefeito receberá R$ 11.500,00, salário superior ao do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que foi reajustado para R$ 11.420,00 em projeto aprovado pelos deputados federais no último dia 9. Na esfera federal, o aumento para o presidente ainda precisa da aprovação do Senado.

O reajuste de Botucatu foi concedido em dois projetos de lei apresentados pela Mesa Diretora da Câmara. Os próximos vice-prefeito e secretários municipais terão os salários reajustados em 71,42%, num salto dos atuais R$ 3.500,00 para R$ 6 mil. Os deputados federais definiram aumento de 28,5% em seus próprios salários e nos do presidente Lula, do vice-presidente José Alencar e ministros.

A justificativa apresentada pela Mesa Diretora do Legislativo de Botucatu sugere defasagem dos atuais vencimentos recebidos por membros do Executivo em relação a outros municípios da região. “Em pesquisas realizadas em outros municípios da nossa região, os valores atuais se mostram muito defasados, considerando que operam desde a legislatura passada valores mais elevados do que os praticados em Botucatu”, frisa o texto apresentado pela direção da Casa sobre a proposta de aumento para o Executivo. Para reforçar o pedido de reajuste dos vencimentos dos parlamentares, acrescentou-se ainda a justificativa da falta de assessores parlamentares na Câmara: “... Tem que se levar em conta, ainda, que os nobres vereadores não possuem assessores, onde o seu trabalho é desdobrado. Além disso, justifica-se o subsídio do presidente, diante de suas diversas atribuições no desempenho e das responsabilidades inerentes ao cargo de presidente da Casa de Leis”.

O próximo presidente do Legislativo de Botucatu vai receber R$ 4.500,00, portanto, R$ 1 mil a mais do que ganham os parlamentares.

Desacordo

Os vereadores Ademir Florian (PV), Josey de Lara Carvalho (PR) e Carlos Trigo (PT) votaram contra o aumento para vereadores. O reajuste para cargos do Executivo recebeu voto contrário apenas de Ademir Florian e Carlos Trigo.

Ao Jornal da Cidade, Trigo explica que não concordou com os índices aplicados porque o Orçamento do município em 2009 não sofrerá reajuste igual ao dos secretários municipais.

“O político hoje está tão desacreditado, e o reajuste para secretário seria de 70%. Acho um valor muito alto e não consegui entender como chegaram a isso. É mais alto o salário do prefeito de Botucatu do que do presidente da República. Na minha opinião, é abusivo”, frisa.

Trigo, que integra a bancada de cinco vereadores do Partido dos Trabalhadores (PT), disse que foi contra, mas a legenda fechou questão favoravelmente aos reajustes. “Discordei e pedi a retirada do projeto, mas não quiseram retirar. Votei contra os dois projetos”, ressalta.

José Manoel Leme, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Botucatu, também se posicionou contra o reajuste. Ontem, a prefeitura anunciou que vai conceder 8% de reajuste aos servidores municipais. Conforme Leme, um auxiliar de serviços gerais, função que recebe o piso salarial, saltará de R$ 634,12 para cerca de R$ 684,84 mensais, valor que será pago a partir de 31 de maio próximo. “O sindicato repudia com vigor esse aumento que eles votaram ontem (anteontem) em relação aos subsídios deles”, frisa.

Leme explica que o reajuste conseguido pelo funcionalismo público municipal é satisfatório. “Somos um sindicato que tem o pé no chão e sabemos até onde pode ser negociado. Temos que ser sensatos em relação à negociação dentro da prefeitura”, frisa. Ele explicou que o percentual pedido pelo Sindicato dos Servidores era de 15%, que para a administração municipal, era totalmente inviável. “Nós trabalhamos em cima da inflação dos últimos 12 meses, que foi de 3,4%, esse é o número que temos”, disse o prefeito Antonio Mário Ielo após reunião, ontem, com representantes do funcionalismo.

Depois de muita conversa, chegou-se ao consenso do reajuste de 8%. “É verdade que o salário do servidor que está no meio da base está defasado. Achamos que 8% é um índice razoável. Foi isso que defendemos nessa reunião”, colocou o vice-prefeito Valdemar Pereira de Pinho. Leme lembrou que a administração acenou com um concurso público para a contratação de funcionários, o que aumentaria a atual despesa com a folha de pagamento, que tem teto definido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A Prefeitura de Botucatu possui aproximadamente 1.500 servidores.

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