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Criatura das pistas

Fernando Miragaya - Auto Press
| Tempo de leitura: 3 min

Modelos de marcas como Bentley e Rolls-Royce costumam ostentar o ar excessivamente aristocrático dos modelos britânicos. Mas sempre há exceções. No caso da Bentley, marca de veículos superluxuosos que pertence à Volkswagen, é o Brooklands. Trata-se de uma série limitada que consegue conciliar a aura clássica das limusines com traços arrojados de um cupê. Mas a vocação esportiva vai além do estilo inspirado nos modelos homônimos de competição do século 20, o que pode ser comprovado pelo motor de 530 cv, o V8 mais potente da história da marca.

Apenas 550 abonados compradores que terão o privilégio de levá-lo para suas garagens logo vão perceber esta mistura de conceitos e de estilos. O modelo abusa dos detalhes musculosos sobre uma arquitetura classuda. O capô comprido do Brooklands faz jus à tradição sóbria da marca, quebrada por dois salientes vincos, que elevam a tampa do motor e convergem para a generosa grade dianteira. Esta traz barras em forma de colméia e se sobressai ao restante da lataria, formando um discreto “bico”.

O conjunto ótico, por sua vez, destoa das dimensões da grade. Discretos faróis duplos redondos e independentes estão embutidos na lataria. O pára-choque bojudo e proeminente tem entradas de ar divididas em três partes e ostenta nas extremidades um discreto acabamento cromado horizontal que transmite ao carrão uma sensação de mobilidade.

Nas laterais, um dos vários vincos emprestam uma aparência mais musculosa ao Bentley Brooklands. Na verdade, a saliência faz parte de uma seqüência que “dá a volta” em todo o carro.

O vinco começa na ponta do pára-choque dianteiro e surge em forma de arco na parte que antecede o pára-lamas da frente. Depois, “corta” a parte superior da porta em linha reta, acompanha o desenho de arco do pára-lamas no terceiro volume do carro e passa pela parte mais baixa da tampa do porta-malas. De lá, segue o mesmo desenho na outra lateral até o pára-choque dianteiro.

Há ainda um segundo vinco intermediário que corta toda a lataria. Mais abaixo, uma terceira saliência destaca a parte inferior da carroceria e é uma continuação do desenho dos próprios pára-lamas. A vocação cupê do modelo é reforçada, ainda, pela linha de cintura alta, pelas janelas diminutas, pela carroceria também em forma de arco e por duas entradas de ar posicionadas logo ao lado dos pára-lamas dianteiros.

Na traseira, a tampa do porta-malas elevada forma um bico proeminente tendo na ponta a logomarca da montadora. As lanternas verticais com contornos arredondados acompanham a inclinação da carroceria e do vidro traseiro.

Por dentro, a sobriedade se faz presente no acabamento em madeira e no revestimento dos bancos, do volante e dos painéis da porta em couro em tom marrom claro. O toque de esportividade fica por conta dos detalhes cromados que servem de moldura para mostradores do painel, do quadro de instrumentos e das saídas de ar. Manopla de câmbio e os apoios dos encostos de cabeça também são em alumínio.

O arrojo, na prática, só vai ser encontrado sob o capô. É lá onde o Brookmarks reverencia os antigos carros de competição com um generoso motor 6.7 litros com oito cilindros em V, 530 cv de potência e nada menos que 114 kgfm de torque máximo. Esse motorzão trabalha com um câmbio automático de seis velocidades com opção de modo seqüencial e com mudanças de marchas através de controles atrás do volante, como em modelos de Fórmula 1. Afinal, por dentro ou por fora, não dá para esquecer que o Brooklands nasceu das pistas.

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