A greve de funcionários e alunos das três maiores universidades paulistas, Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade de Campinas (Unicamp), deve atingir os câmpus em Bauru da USP e da Unesp. Anteontem, mais algumas assembléias foram realizadas e a adoção ou não da greve deve ser anunciada no início da próxima semana (leia mais nas páginas 19 e 22).
Segundo a diretora de base do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), Elaine do Amaral Godói, uma nova assembléia foi marcada para a próxima terça-feira, às 12h30. A diretora afirmou que 30 unidades da USP já estão 100% paralisadas, o que corresponde a mais de 50% do universo de 80 mil alunos e 15 mil funcionários da universidade.
Godói acredita que a greve deve atingir Bauru, já que a luta não é só salarial, mas sim contra a perda de autonomia das universidades frente aos decretos baixados pelo governador José Serra (PSDB). “Estamos em busca de melhores salários, mas principalmente, queremos defender o livre pensamento e a autonomia do ensino”, diz a diretora.
Os decretos do governo estadual definem as universidades como órgão submetidos às secretarias estaduais, ou seja, contratações, pagamentos, manutenções, ampliações e qualquer tipo de atitude tomada pela universidade seriam submetidas a aprovação do governo. Além do problema da ingerência do Estado frente às universidades, ainda há a solicitação dos alunos da USP para o aumento do número e melhora das moradias estudantis e a contratação de professores.
No caso da USP, os câmpus de São Paulo, Ribeirão Preto e São Carlos já estão paralisados. Os alunos saíram na frente e desde o dia 3 de maio estão acampados na reitoria da USP em São Paulo. Anteontem os funcionários deram apoio aos universitários e entraram na reitoria.
No caso da Unesp, a assembléia de anteontem não apresentou um quadro definitivo para a greve, mas está marcada para a próxima segunda-feira, às 13h30, uma assembléia que determinará se o câmpus de Bauru adere à paralisação. O coordenador político do Sindicato dos Trabalhadores da Unesp (Sintunesp), Alberto de Souza, aposta no ingresso de Bauru na greve.
“Não sabemos quando vai começar, mas há indícios de que Bauru vai aderir à paralisação. Aqui também os alunos sinalizam para o apoio ao movimento”, disse Souza.