Economia & Negócios

Plasútil irá construir fábrica em PE

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

O crescimento estimado em 10% ao ano da Plasútil – fabricante de utensílios plásticos de Bauru – renderá bons frutos para trabalhadores de Bauru e também do Nordeste. A direção da empresa irá investir até 7% do seu faturamento na linha de produção regional e construir uma nova fábrica em Recife (PE), onde possui um centro de distribuição. A estimativa é gerar até 150 novos empregos na cidade ainda neste ano e começar a implantação da nova unidade em Pernambuco no início de 2008.

As informações foram reveladas ontem pelo presidente da empresa, Marco Antônio Pereira da Silva, durante coletiva com a imprensa. Segundo ele, a competitividade no região Nordeste motivou a construção da nova fábrica. “O fluxo de produtos que mandamos para lá está aumentando cada vez mais. Mandamos caminhões carregados e eles retornam vazios. Se produzirmos lá, podemos abastecer esse mercado praticamente a custo zero de transporte”, explica. “Como trabalhamos com muito volume, para que nós tenhamos um custo competitivo, somos obrigados a ter uma produção local”, defende, sem revelar cifras de investimento.

Fundada em 1986, a empresa conta hoje com 680 funcionários trabalhando na fábrica de 38.850 metros quadrados (m²), situada no Distrito Industrial 1, em Bauru. De acordo com seu presidente, a Plasútil é líder de mercado no segmento de utensílios domésticos de baixo custo, com produção mensal de 15 milhões de peças plásticas e lançamento de novos itens a cada cinco dias, em média. “Anualmente, 70 novos produtos são colocados no mercado. É a única forma que temos para nos mantermos atualizados e fornecermos produtos competitivos ao consumidor”, diz Silva.

A empresa exporta produtos para 30 países, com destaque para a América (do Norte, Central e do Sul). As negociações com a Europa e a África atingem escala menor. “15% do nosso faturamento são provenientes do Exterior, enquanto 20% do total de nossa produção abastecem especificamente esse mercado. Índice que já foi inverso no passado”, afirma o presidente, fazendo alusão à queda do preço do dólar, que prejudica os exportadores e estimula a importação.

Dólar baixo e impostos

Marco Antônio Pereira Silva, presidente da Plasútil, avalia que a constante depreciação do dólar em relação ao real, agregada à alta carga de tributos às quais estão sujeitas as indústrias brasileiras são fatores preocupantes para a manutenção do setor secundário no País. “Na exata proporção que o dólar continuar em queda, o País deve perder competitividade nos produtos com mais valor de mão-de-obra agregada (que necessitam de muitas pessoas para serem produzidos) e o custo desse serviço é muito grande em comparação com os principais concorrentes”, afirma. “Nós vamos nos transformar num País de consumidores, isso sem dúvida alguma”, prevê.

A carga tributária anual da Plasútil é de R$ 19,6 milhões enquanto sua folha de pagamento, com os impostos, não passa de R$ 17,5 milhões, segundo dados apresentados aos jornalistas. Ao mesmo tempo, as exportações da empresa têm crescido e a receita, diminuído. No entanto, a empresa não pretende frear o fornecimento a outros países.

“Primeiro: a exportação é uma forma de mantermos uma receita em moeda forte, o que facilita a importação de maquinário, por exemplo. Segundo: é uma forma de avaliar se a performance dos nossos produtos está adequada ao mercado mundial. Portanto, temos que permanecer com a exportação”, explica Silva. (LG)

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