A novela do projeto da instalação de um shopping temático no prédio da antiga estação ferroviária, no Centro, não deve mais ser concretizada. Impedimentos junto aos órgãos de proteção do patrimônio histórico arrastam a liberação do projeto. Mas o Grupo Marca, representante do investidor no negócio, quer marcar audiência com o prefeito Tuga Angerami para buscar apoio para utilização do prédio para novas instalações da Justiça Federal de Bauru.
A informação foi levantada ontem junto ao responsável pelo projeto do grupo Marca em relação ao imóvel, Avelino Cortellini. Segundo ele, está descartada a utilização do prédio da estação para abrigar o shopping temático. “O shopping não será mais no prédio da estação. A alternativa está no aproveitamento de área ao lado da estação. Há uma série de restrições de aproveitamento do prédio tombado para instalar negócios do porte de um shopping, com salas de cinema, praça de alimentação e centro de eventos. Estamos discutindo alterações no projeto e o uso da estação para abrigar a Justiça Federal”, conta.
Cortellini disse que representantes do Judiciário Federal realizaram vistoria na área e mostraram interesse, tanto em razão da localização central do imóvel quanto pela área útil disponível. “O que vamos discutir é a reforma do imóvel para receber a Justiça Federal através de locação. Mas antes disso, precisamos apresentar a proposta ao prefeito Tuga Angerami, porque há sobre a estação um decreto de utilidade pública. Precisamos do aval da prefeitura quanto à liberação para avançar na proposta”, explica.
O Grupo Marca quer concretizar a compra da estação ferroviária, junto com uma área contígua ao prédio principal, do Sindicato dos Ferroviários. A aquisição está sendo discutida há alguns anos através do empreendedor Edmundo Baracat, proprietário do Shopping Pátio Brasil, em Brasília (DF).
O prefeito Tuga Angerami reafirmou ontem, através da assessoria de imprensa, que não vai interferir nas negociações entre o Grupo Marca e o Sindicato dos Ferroviários a respeito do prédio da estação ferroviária. Ele disse que ainda não tem conhecimento sobre a proposta de reforma e aluguel do prédio à Justiça Federal, mas observa que “não vê problema em agendar reunião para tratar do assunto”.
Conforme a assessoria, o Executivo aguarda ser procurado pelos interessados para discutir a proposta. O representante do Grupo Marca explica que a alteração no formato original do projeto depende do apoio do prefeito em relação à futura revogação do decreto de utilidade pública. O prefeito estabeleceu o decreto porque pretendia levar para o local instalações da Secretaria Municipal de Educação, mas aceitou não concretizar a medida para não atrapalhar o empreendimento privado.
O juiz federal Heraldo Garcia Vitta confirmou que há interesse nas instalações da Justiça Federal na estação. “O prédio é amplo e isso demanda uma grande reforma e a intervenção legal junto a órgãos como o Conselho do Patrimônio Público e a Prefeitura. Desde que se viabilizem essas pendências é possível discutir o projeto. A estação está em uma área central e isso favoreceria o atendimento à população pelo Judiciário Federal”, comenta.
Avelino Cortellini informa que está solicitando audiência com o prefeito para discutir o assunto, juntamente com representante do Judiciário.
A compra do prédio da estação foi negociada junto ao Sindicato dos Ferroviários de Bauru por pouco mais de R$ 6,3 milhões (valores do início deste ano). Mas o prazo para o pagamento da parcela negociada com o sindicato venceu e a retomada do empreendimento vai exigir atualização do processo.