“Sexo não tem hora nem lugar. É para fazer quando se tem vontade.” As palavras de Joana (nome fictício) traduzem bem o que ocorre com o homens e mulheres quando o instinto que mais o aproxima dos animais se aflora. Depois de um passeio, ainda dentro do carro, com o coração batendo mais forte, o sangue correndo em maior abundância nas veias e o contato pele com pele, a razão – muitas vezes – fica de lado e a cena caminha para um desfecho natural. Fazer sexo no carro, apesar não ser recomendado, foi, é e provavelmente será uma prática comum em Bauru e na maioria das cidades brasileiras. Isso entre jovens que ainda moram com os pais e até casais que já dividem o mesmo teto.
Joana tem 51 anos, está casada há 12 com seu segundo marido e confessa ainda não ter deixado de lado essa prática, que geralmente é mais comum entre os jovens. “Eu e meu marido ainda gostamos e fazemos”, revela. Apesar de citar as diversas opções que os casais têm hoje para praticarem sua intimidade sem riscos, ela cita a sensação de aventura como o principal motivador. “Não dá para ficar sempre na mesma coisa. Apesar de ser um pouco complicado, excita e agrega novas sensações, principalmente em virtude do perigo”, explica.
Consciente desses perigos – como assaltos, aos quais estão sujeitos quem faz sexo no carro –, ela revela que não existe lugar nem momento determinado para namorar. “Acontece sempre por acaso, sem premeditar. Se der vontade e a gente (casal) avaliar que é possível parar o carro, não tem problema”, conta a mulher, que evita locais com grande circulação de pessoas. Mas ela revela que tem amigas que preferem o contrário. “Tem gente que gosta mesmo é de muvuca”, finaliza.
Quando se é um pouco mais jovem, fazer sexo dentro do carro é mais uma questão de falta de opções do que gosto pela aventura. Com pouco dinheiro no bolso para pagar motéis confortáveis (com preços entre R$ 30,00 e R$ 50,00), sem intimidade suficiente para levar o parceiro em casa, na maioria das vezes, os casais na faixa dos 20 anos optam pelo namoro dentro do carro.
Apesar de ter consciência do perigo e reclamar do desconforto, “que machuca o corpo e chega a deixar o joelho roxo”, Priscila (nome fictício), 24 anos, conta que já chegou a fazer sexo dentro do carro diariamente. “Hoje já faz um ano e meio que namoramos. Mas nos seis primeiros meses, parávamos todos os dias por volta das 23h em frente à casa dele (parceiro) para ficarmos juntos, sozinhos”, afirma. “Moramos com os pais e hoje ficamos em casa mesmo. Mas naquela época, não tínhamos essa liberdade”, completa.
Ela até desenvolveu técnicas para “camuflar” o carro, mas mesmo assim não conseguiu se livrar de situações constrangedoras. “A gente sempre tem uma blusa de frio à mão para tapar o vidro. Outra coisa boa é deixar o carro ficar embaçado, com a transpiração”, ensina. “Uma vez um casal que passeava com um cachorro nos flagrou. A gente tenta disfarçar, se cobre, sente muita vergonha, promete que nunca mais vai fazer isso, mas no outro dia está lá de novo”, fala abertamente.
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PM condena ato na via pública
Duarte, comandante 1ª Companhia da Polícia Militar (PM) em Bauru, pela experiência obtida no patrulhamento na zona sul da cidade revela que namorar (sem consumar o ato sexual) no carro é comum em Bauru. Mas os casais geralmente escolhem locais inadequados, escuros e ermos.
Por isso, ele condena a prática. “É muito perigoso. Em várias oportunidades casais são abordados por pessoas armadas que assaltam. Eles ficam vulneráveis também a seqüestros-relâmpago ou mortes”, alerta. “Por isso, fazemos trabalho de conscientização, abordando casais namorando em locais ermos, explicando sobre os perigos e orientando a não fazerem uso dessa prática”, completa. Ele lembra que pessoas já morreram em Bauru após serem abordadas enquanto namoravam no carro. O último caso desse tipo ocorreu em Borebi. Juliana Alcarás Grama, 17 anos, foi morta no última dia 12, por volta das 22h, após ter saído com o namorado e estacionado o carro na estrada vicinal Wilson Petenazzi, local tido como ponto de namoro pelos jovens da cidade. Há 15 anos a pacata cidade não registrava homicídios.
Em Bauru, Costa Duarte cita as imediações do Aeroclube, do supermercado WalMart e uma rua ao lado do Parque Vitória Régia como os locais mais freqüentados pelos casais. No entanto, a reportagem constatou que, em algumas ruas, como a Maceió (nas imediações do Sesc) e a Paes Leme freqüentemente ficam forradas de camisinhas usadas. (LG)
Namorar pode
O artigo 233 do Código Penal diz que praticar ato obsceno em lugar público ou aberto ou exposto ao público configura ato infracional. Quem for flagrado pode pegar de 3 meses até um ano de detenção ou ser obrigado a pagar multa.
Namorar e beijar não configuram atos que ofendam o pudor público, ao contrário de atividades com conotação sexual.(LG)