Bairros

Pedestres fazem malabarismo para andar nas calçadas

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

Se os motoristas freqüentemente reclamam de buracos nas ruas de Bauru, os pedestres não raramente também enfrentam obstáculos nas calçadas: mato alto, arbustos, árvores, postes e estreitamento do passeio público fazem com que o pedestre, em inúmeros pontos da cidade, tenha que caminhar pela rua, sob o risco de ser vítima de acidentes.

Na quadra 7 da rua Maceió, na Vila Cardia, por exemplo, o mato na calçada está tão alto que cobre parte de um ponto de ônibus. Por conta da situação, o pedestre tem de andar pela rua ao invés de caminhar pelo espaço reservado a ele. “Isso não tem explicação. Bauru é assim mesmo. Uma cidade relaxada. É ignorância da população e descaso do município”, opina o auxiliar de produção Marcelo Alves da Silva, 25 anos, que passa pelo local com freqüência e já sofreu queda em virtude de obstáculos na calçada.

Na quadra 2 da rua Caipós, assim como na quadra 3 da rua Luiz Bagnol (ambas transversais à rua 1.º de Agosto), a calçada inexplicavelmente se torna mais estreita em determinados trechos. Para complicar, um poste no local obriga o pedestre a sair de seu caminho. “É uma falta de respeito, principalmente com idosos e cadeirantes. Neste caso, parece ser responsabilidade do Estado. Mas existem particulares que também avançam (as construções) sobre as calçadas”, salienta o bancário Tiago Rezende, que, com freqüência, passa pela rua Caipós para chegar ao trabalho.

Já na avenida Aureliano Cardia, na quadra 8, e na rua Antônio dos Reis, quadra 5, árvores com galhos baixos representam risco a pedestres e motociclistas. O alinhador Maurício Wagner de Carvalho passa pela avenida diariamente.

“Faz anos que ela está assim, meio podre (a árvore). O risco de trombar é maior à noite porque a visão fica prejudicada”, acredita. Já o estudante universitário Guilherme Alves caiu da moto após se chocar com a árvore da Antônio dos Reis. “Fiz a curva um pouco mais fechada e bati no galho”, conta o rapaz, que sofreu apenas arranhões.

Responsabilidade

De acordo com o titular da Secretaria do Meio Ambiente (Semma), Rodrigo Agostinho, manter a calçada transitável é responsabilidade do morador. Já no caso das árvores, a responsabilidade é dividida entre o cidadão e a prefeitura.

“Nós pedimos que o munícipe cuide da árvore que está em frente à sua residência. Em Bauru, a maioria das árvores tem característica de ter a copa baixa e esse é um problema que estamos tentando resolver. Mas quando a pessoa considerar que ela esteja atrapalhando, é só avisar a Semma que técnicos comparecerão ao local para fazer a análise e, possivelmente, plantar uma nova muda”, afirma.

Já as calçadas estreitas, na avaliação de Rodrigo, são reflexo da antiga política de urbanização. “Na maioria das vezes, locais com esse tipo de problema são lotes antigos, que podem ter avançado as construções para aproveitar melhor o terreno. Muitas vezes é complicado resolver porque, se por um lado é difícil diminuir a rua, aos moradores não é interessante demolir uma construção”, diz.

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