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Carta do ‘além’ adia julgamento

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Ourinhos - Uma carta supostamente psicografada suspendeu o julgamento do comerciante Milton dos Santos, acusado de ter mandado matar Paulo Roberto Pires, o “Paulinho do Estacionamento”, em Ourinhos (130 quilômetros de Bauru). O conteúdo da mensagem, que teria sido enviada do “mundo dos espíritos”, inocenta o réu. Por precaução, o quarto promotor de Justiça da Comarca de Ourinhos, Silvio da Silva Brandini, optou por solicitar a suspensão da audiência de julgamento, marcado para o último dia 17.

Brandini explicou ontem, ao JC, que a mensagem supostamente psicografada não revela a identidade do médium que teria recebido a comunicação do “além” e tampouco o lugar em que foi psicografada.

A juíza Raquel Grellet Pereira Bernardes determinou à defesa que explicasse a origem da carta. Conforme o promotor, o prazo terminou ontem sem que houvesse uma explicação sobre a mensagem que veio do “além”. “Essa carta, em tese, diz que o Milton é inocente e não aponta nenhum culpado. Reclama da Justiça, que deve sossego para ele e tranqüilidade para a família”, conta Brandini sobre o polêmico conteúdo do texto.

Em seu pedido de adiamento da sessão do júri, Brandini pediu à juíza a prisão preventiva de Santos. “Agora, tem que aguardar uma decisão da juíza nesta segunda-feira. Aquilo foi juntado para criar medo no jurado (sete pessoas)”, acrescenta o promotor de Justiça.

Dimensão humana

Pela morte de Pires, já foi condenado a 14 anos de detenção Jair Roberto Feliz. Santos seria julgado pela acusação de ser o mandante do assassinato do comerciante, em 22 de abril de 1997. Conforme Brandini, Valdinei Aparecido Ferreira, o “Pudim”, teria tido um prejuízo financeiro numa transação com “Paulinho do Estacionamento”. Milton dos Santos, co-cunhado de Paulinho, teria oferecido a Ferreira R$ 30 mil e a quitação do financiamento de um veículo Monza 1993 para matar o comerciante. Ferreira teria concordado e pedido inicialmente R$ 3 mil para contratar pessoas que fizessem o “serviço” encomendado.

Brandini conta que Ferreira foi ao município de Osasco e contratou Edmilson da Rocha Pacífico, morto na prisão, e Jair Felix. Ambos pistoleiros vieram para Ourinhos, onde se hospedaram no Hotel Comercial. Já no dia seguinte, Ferreira teria alugado um imóvel para a dupla e os aproximou da vítima. Após uma semana na cidade, eles mataram “Paulinho do Estacionamento” com vários tiros e fugiram.

Cartas embaralhando

O julgamento do suposto mandante da morte de Paulo Roberto Pires, o “Paulinho do Estacionamento”, além de suspenso por uma mensagem do “além”, ficou confuso com o aparecimento de mais duas cartas de um mesmo autor. Uma das mensagens tem materialidade - autor e procedência. Segundo o promotor de Justiça da Comarca de Ourinhos, Silvio da Silva Brandini, Valdinei Aparecido Ferreira, o “Pudim”, envolvido no crime, pediu em uma mensagem para depor contra Santos.

O promotor explica que, três dias antes do julgamento, Milton dos Santos juntou uma terceira carta que teria sido escrita por Ferreira contradizendo a que o acusava pelo mando do homicídio. “Só que não bate a assinatura e a letra não é do ‘Pudim’ (Ferreira)”, garante o promotor.

Brandini ressalta que os defensores, aproveitando os prazos do trâmite jurídico, não quiseram que Ferreira fosse ouvido pelo júri e a juíza indeferiu o pedido do testemunho na sessão de julgamento. Para o promotor, seria uma “salada” realizar o julgamento com duas cartas da mesma pessoa se contradizendo. (RS)

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