Caso o técnico em eletrônica Lionel José Andreatto fosse um personagem de história em quadrinhos, na certa ele seria o Professor Pardal. É que a maior paixão da vida dele é criar novos objetos. Ele já soma mais de 100 invenções, que vão desde pequenas máquinas industriais até combustíveis alternativos feitos à base de açúcar, usados em minifoguetes.
Esse dom natural de Andreatto permitiu que ele assessorasse professores e alunos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru em um projeto de fabricação artesanal de telescópios. “Foi ele quem nos passou todas as técnicas”, garante a professora de física Rosa Maria Scalvi. Segundo ela, apenas cinco pessoas em todo o País são capazes de construir aparelhos tão perfeitos quanto os do bauruense. Andreatto é um inventor precoce. Sua primeira obra ganhou vida quando ele tinha apenas 6 anos de idade. “Foi um carrinho de madeira”, recorda. Depois disso, ele resolveu ser escultor. “Fazia imagens de santos”, afirma. O primeiro telescópio surgiu ainda aos 11 anos. “Eu morava no sítio e minha mãe sempre dizia que na Lua morava um São Jorge. Resolvi investigar para ver se era verdade”, conta.
Ele fabricou uma luneta utilizando um fundo de garrafa polido, uma lente de óculos usada e um metal pesado. “Acabei descobrindo que não havia santo nenhum”, diz. Mesmo assim, ele continuou aperfeiçoando sua técnica, até atingir o estágio atual. O interessante, da história é que Andreatto, o Professor Pardal bauruense, nunca cursou uma universidade. “Meu trabalho é muito corrido. Não tive tempo”, afirma. (RF)