São Paulo - Fazia tempo que Rogério Ceni e Diego Cavalieri não tinham uma tarde tão tranqüila quanto a de ontem. Nem sujar a camisa precisaram, culpa da falta de criatividade e de objetividade de Palmeiras e São Paulo. Raros chutes a gol durante 90 minutos, todos sem perigo. O placar de 0 a 0, no Morumbi, foi justíssimo. Um dos piores clássicos entre os dois times nos últimos anos. Foi feio.
Pouco mais de 20 mil torcedores compareceram ontem ao Morumbi - um clássico esvaziado, com público menor do que o jogo entre Corinthians e Atlético Mineiro, no dia anterior. E quem foi ao estádio deve ter se arrependido e pensado em pedir o dinheiro de volta. Era melhor ter passado a tarde fria de domingo no sofá de casa, vendo um filme.
Após duas vitórias no Campeonato Brasileiro, o Palmeiras chegou ao clássico com mais moral que o rival - a semana do São Paulo não estava nada boa, com o técnico Muricy Ramalho balançando no cargo após a má campanha na Libertadores. Dentro de campo, no entanto, o time alviverde não conseguiu ser superior. Em nenhum momento.
O jogo foi parelho desde o início. Equilibrado, truncado, recheado de faltas. E sem emoção. A torcida palmeirense esperava mais uma boa atuação do chileno Valdívia. “El Mago” não correspondeu. Foi um dos melhores do time, é verdade, pois ao menos tentava as jogadas. Mas parava sempre na zaga são-paulina. E Edmundo? Foi substituído no fim do jogo, com cara de poucos amigos. Mas não fosse o erro do árbitro Sálvio Spinola Fagundes Filho, deveria ter sido expulso logo aos cinco minutos - enfiou as travas da chuteira na perna do zagueiro Miranda. E nem cartão amarelo levou.
A apatia não estava apenas do lado palmeirense. O São Paulo também nada fez em campo. Dagoberto pegava a bola e logo a perdia. Ilsinho, pelo lado direito, não chegava à linha de fundo - preferia levar as jogadas para o meio e embolava tudo. Borges foi outro atacante que esteve sumido. Demorou para sair e dar vaga para Leandro, que, assim como o substituído, não deu trabalho à defesa alviverde.
Alguns jogadores colocaram a culpa do péssimo desempenho na bola e no gramado do Morumbi. “Eles (o São Paulo) querem arrecadar e ficam fazendo show toda a hora”, falou Edmundo, ao lembrar que o clube tricolor sempre aluga o estádio para eventos. “Assim fica difícil.”
O gramado, realmente, não era dos melhores. Mas não pode ser usado como desculpa e não explica o fato de os atletas pouco terem arriscado chutes ao gol. Todos sem perigo.
Já nos acréscimos, Martinez teve uma chance, de falta. Uma bola fácil, que Rogério Ceni conseguiu defender, apesar de ter pulado mal. Após o fim do jogo, o palmeirense Dininho deu uma nota 6 para o clássico. Justo, se ele tivesse falando no quesito marcação. Porque se for se referir à qualidade da partida, a nota dos times deveria sair mesmo é do placar. Zero para o São Paulo e zero para o Palmeiras.