Bairros

Nevoeiro raro cobre Bauru e região

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Um nevoeiro considerado raro na região deixou Bauru coberta por névoa até o início da tarde de ontem. O fenômeno causado por uma frente fria - que também provocou chuva no domingo – foi registrado poucas vezes em Bauru nas últimas décadas. O nevoeiro interditou os aeroportos da cidade até as 13h e provocou alguns acidentes nas rodovias da região.

O nevoeiro estava tão denso, que a visibilidade era de 50 metros. Nos melhores pontos, se enxergava apenas até 70 metros. Diferentemente, a neblina é caracterizada quando a visibilidade é superior a um quilômetro. A moradora do Jardim Aeroporto Eliana Aparecida Alves conta que, do alto de seu prédio, não conseguia enxergar a cidade. “Estava tudo coberto. E só foi limpar depois do almoço”, conta.

De acordo com o tenente Ordival Affonso Júnior, do Policiamento Rodoviário, foram registrados alguns acidentes no período da manhã, mas não houve vítimas graves. “Nossa orientação é não atravessar o nevoeiro. Se estiver na estrada, pare em algum posto de combustíveis”, aconselha. O tenente ressalta que os pontos mais sujeitos a neblina e nevoeiro nas rodovias estão demarcados com placas de alerta.

De acordo com o professor doutor José Carlos Figueiredo, meteorologista do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), ao contrário dos nevoeiros comuns na região, que se dissipam nas primeiras horas da manhã, o nevoeiro de ontem chegou transportado por uma frente fria e tem como característica a duração prolongada. Figueiredo explica que o mais comum em Bauru é o nevoeiro por radiação, que acontece no outono e inverno. “Durante à noite, o solo esfria. Quando ele está mais frio que o ar, e o ar está saturado, existe uma condensação, provocando o nevoeiro. E isso só acontece quando o céu está limpo, com poucas nuvens”, explica.

O nevoeiro que atingiu Bauru ontem foi o do tipo “advecção”. Ele foi trazido pela frente fria e, de acordo com Figueiredo, pode permanecer por longos períodos. “Pode persistir até por dias”, revela. Muito comum no Sul e em algumas cidades do Estado de São Paulo, como Guarulhos, esse nevoeiro é raro na região de Bauru. “Em 20 anos no IPMet, me recordo de dois ou três na cidade”, conta. Ontem, o nevoeiro só foi se dissipar por volta das 12h. Esse fenômeno veio com a frente fria, que provocou chuva no final de semana. Outros fatores que colaboraram para a ocorrência desse tipo de nevoeiro foram o céu nublado e o vento.

Esse nevoeiro que persiste também é difícil de ser previsto. Segundo Figueiredo, um especialista que atuou no IPMet iniciou um trabalho para calcular a possibilidade da incidência de nevoeiros. “O professor doutor José Scolar estava modelando matematicamente os nevoeiros. Mas ele se aposentou e o trabalho não foi concluído”, comenta. Hoje, o IPMet prevê que a cidade amanhecerá novamente coberto por nevoeiro, mas do tipo que o bauruense está acostumado, com previsão para se dissipar em poucas horas.

Aeroportos fechados

Por conta do nevoeiro, o Aeroclube e o Aeroporto Moussa Tobias ficaram fechados para pouso e decolagem até as 13h. De acordo com a Infraero, o procedimento é comum quando o clima apresenta condições adversas, como o denso nevoeiro de ontem. Segundo o Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp), o nevoeiro afetou todos os aeroportos da região até as 13h, quando pousos e decolagens foram liberados.

Segundo o representante da Pantanal Linhas Aéreas em Bauru, os vôos previstos para as 7h, às 11h e às 13h com destino a São Paulo foram fundidos em um que decolou às 14h. “Todas as conexões foram alteradas para os passageiros não serem prejudicados”, observa o representante da empresa, Antônio Antunes.

O vôo de São Paulo para Bauru também chegou mais tarde por conta do nevoeiro. Já na Air Minas, que também atua na rota Buaru-São Paulo, o vôo com chegada prevista às 10h50 também atrasou por conta do clima. (LL)

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