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Carta do ‘além’ foi recebida em Lorena

Ricardo Santana Com Agência Estado
| Tempo de leitura: 3 min

Ourinhos - A carta psicografada que adiou o julgamento de um homem acusado de mandar matar Paulo Roberto Pires, o “Paulinho do Estacionamento”, em Ourinhos (130 quilômetros de Bauru) já tem autor, local, data do recebimento da mensagem do “além” e médium receptor. As 11 folhas manuscritas teriam sido psicografadas por Rogério Leite, do Centro Espírita Paulo Ferreira, da cidade paulista de Lorena, em 2004. O texto inocenta o comerciante Milton dos Santos, acusado de ser o mandante da morte de Pires. Para incrementar a ajuda que teria vindo do “mundo dos espíritos”, o advogado do réu, Marco Antonio Martins Ramos, juntou ao processo, além da carta, fotos da sessão espírita e do médium. Num dos trechos do texto atribuído ao morto, ele diz esperar que a mensagem sirva para que “inocentem o Milton, para que ele prossiga a sua vida aproveitando-se da observação dos fatos para dirigir melhor sua família”. O morto não aponta, no entanto, o verdadeiro culpado. Diz apenas esperar “que os culpados pela minha morte do corpo paguem suas culpas.”

Em matéria publicada no JC no último sábado, o promotor Silvio da Silva Brandini se viu obrigado a pedir o adiamento da sessão que julgaria Santos. Diante de tal revés, a juíza Raquel Grellet Pereira Bernardi atendeu o pedido da promotoria. Brandini solicitou a suspensão por temer que a carta pudesse influenciar os jurados.

“Pode haver pessoas espíritas entre eles.” O promotor disse ao JC na sexta-feira que pediu a prisão preventiva de Santos, que aguarda o julgamento em liberdade.

A nova prova foi juntada pela defesa três dias antes do julgamento e a nova sessão do júri ainda não foi marcada. Ontem, o promotor reclamou que, embora a carta tenha sido psicografada em 2004, só foi juntada no processo dias antes do júri. Ele pediu que o documento, que tem quatro assinaturas do morto, seja submetido à perícia. “Não devemos misturar religião com Justiça, mas tudo indica que estamos diante de uma farsa.”

Pires foi morto em abril de 1997 e três envolvidos no crime já foram presos e condenados. Um deles, Edmilson Rocha Pacífico, na época com 25 anos, morreu na cadeia de Ourinhos em 2002. De acordo com o promotor, os réus acusaram Santos de ter contratado a morte do concunhado. Após o crime, ele foi nomeado procurador pela viúva e passou a administrar o patrimônio do comerciante, avaliado em R$ 15 milhões. Para o promotor, o motivo do crime foi financeiro.

O crime

Santos seria julgado pela acusação de ser o mandante do assassinato do comerciante, em 22 de abril de 1997. Conforme Brandini, Valdinei Aparecido Ferreira, o “Pudim”, teria tido um prejuízo financeiro numa transação com “Paulinho do Estacionamento”. Milton dos Santos, concunhado de Paulinho, teria oferecido a Ferreira R$ 30 mil e a quitação do financiamento de um veículo Monza 1993 para matar o comerciante. Ferreira teria concordado e pedido inicialmente R$ 3 mil para contratar pessoas que fizessem o “serviço” encomendado.

Brandini conta que Ferreira foi ao município de Osasco e contratou Edmilson da Rocha Pacífico, morto na prisão, e Jair Felix. Ambos pistoleiros vieram para Ourinhos, onde se hospedaram no Hotel Comercial. Já no dia seguinte, Ferreira teria alugado um imóvel para a dupla e os aproximado da vítima. Após uma semana na cidade, eles mataram “Paulinho do Estacionamento” com vários tiros e fugiram.

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