Bagdá - Os Estados Unidos pediram ontem que o Irã suspenda o apoio dado a milícias no Iraque, em uma reunião histórica entre representantes dos dois países.
Após quase 30 anos, os dois países retomaram as relações diplomáticas com o encontro de ontem. Os governos americano e iraniano haviam cortado relações em 1979, após um seqüestro na Embaixada americana em Teerã em que diplomatas foram feitos reféns por 14 meses.
Washington acusa o Irã de armar, financiar e treinar milícias xiitas no Iraque, acirrando a violência sectária no país.
O governo iraniano nega as acusações americanas. “O diálogo foi positivo, mas agora precisamos observar a ação iraniana”, disse Ryan Crocker, embaixador americano para o Iraque, após a reunião, que durou cerca de quatro horas.
“Até o momento, as ações (do Irã) vão contra a política que eles propuseram”, acrescentou. Segundo Crocker, Teerã propôs um mecanismo conjunto entre Irã, EUA e Iraque para coordenar a segurança no país árabe.
O Irã, por sua vez, criticou o treinamento dado pelo Exército americano às forças iraquianas, dizendo que isto é “inadequado” para os desafios enfrentados no país.
O representante iraniano, Hassan Kazemi-Qomi, disse que seu país viu “passos positivos” no encontro.
“Alguns problemas foram levantados e discutidos, e acho isso positivo (...). No campo político, os dois lados concordaram em apoiar o governo iraquiano”, disse ele à TV. O encontro não tratou do controverso programa nuclear iraniano.