A falta de conscientização ambiental ou simplesmente de educação produz diariamente de seis a oito mil litros de lixo todos os dias no Centro da cidade. Este é o volume de sujeira que os 16 varredores da região coletam todos os dias. De bitucas de cigarro a saquinhos plásticos, os funcionários da limpeza pública tiram das ruas e sarjetas do Centro o lixo que iria entupir os bueiros. A maior parte desse volume é arremessada por cidadãos que não estão muito preocupados com o bem-estar de Bauru e a beleza do bairro.
No quadrilátero formado pela rua Bandeirantes, rua Presidente Kennedy, avenida Nações Unidas e rua Alfredo Ruiz, são retirados diariamente de 60 a 80 sacos com capacidade para 100 litros cada. De acordo com o diretor do departamento de limpeza pública, Rubens Duque, o maior problema é a falta de conscientização. “As pessoas continuam jogando lixo na rua. Mesmo de carro, baixam o vidro e jogam papéis fora”, observa.
O comércio também gera muito lixo. Panfletos de propaganda, guardanapos de salgados e saquinhos de lanches. Mesmo que a calçada tenha lixeiras, muitos arremessam esses papéis e plásticos no chão. “As barraquinhas de lanche mantêm as latas de lixo, mas muitos compram os sanduíches, saem comendo pela rua e não jogam o lixo nas lixeiras”, lamenta Duque. Outros campeões da varrição são tampinhas e garrafas plásticas. “A casca de coco verde é outro problema”, observa o diretor. “O pessoal não se preocupa com os resíduos, não pensa no futuro, que esse lixo pode causar uma inundação”, diz Duque.
Para o biólogo do Instituto Ambiental Vidágua Ivan de Marchi, a conscientização ambiental, que no Brasil praticamente teve início logo após o encontro mundial ECO 92, no Rio de Janeiro, já pode ser sentida. Porém, ainda é muito tímida. “Nas escolas isso já é discutido desde o início da década de 90. Por isso acredito que esse reflexo de lixo na área central é relacionado aos adultos. Muitos não tiveram contato com educação ambiental”, avalia. De acordo com o biólogo, os jovens já possuem essa conscientização.
Para ele, o volume de lixo despejado diariamente no Centro só vai ter alteração mais acentuada daqui cinco ou dez anos. “No Brasil, a tendência do investimento em educação é ter efeito a cada dez anos. Ao contrário do Japão, por exemplo, que em dois anos já pode ser observado e avaliado o efeito da educação”, pontua.
O biólogo também destaca que o lixo encontrado no Centro é composto por plásticos, que por ter volume e peso menores, não são recolhidos por catadores de recicláveis. “A própria indústria da reciclagem não demonstra interesse. Muitos desses saquinhos plásticos não são aceitos por estarem sujos e engordurados. Mas imagine quanto de papel de bala e de saquinho de lanche esse pessoal tem que recolher para dar peso?”, pontua. Ele sugere que os próprios comerciantes façam uma campanha de conscientização no Centro. “Como o maior gerador é o ramo alimentício, eles poderiam colocar dicas nos cardápios, incentivar isso. Dessa forma, vão atingir muitas pessoas”, sugere.
Nem moeda
Há 11 anos limpando as ruas do Centro, o varredor Gabriel Martins dos Santos conta que tira de seis a sete sacos de sujeira das calçadas e sarjetas a região. “Todos os dias eu começo varrendo a 13 de Maio e vou até a Araújo Leite. Depois eu volto repassando”, conta.
Em mais de uma década na região, ele lamenta que o serviço nunca diminuiu. “O pessoal continua jogando muito lixo na rua”, diz.
Em todos esses anos, ele conta que nunca encontrou nada que fugisse dos saquinhos, panfletos e copos plásticos que costuma varrer pelas ruas. “Antes eu encontrava algumas moedas. Agora a situação está tão feia que nem moeda acha mais”, brinca. (LL)