Em época de campanha, sempre que podia eu dava uma esticada a um bar no Higienópolis. E era inevitável: sempre havia alguém “serrando” uma dose de pinga. Após a campanha, no dia em que terminou a apuração, voltei ao boteco para agradecer e o dono me cochichou:
- Está certo que o sr. se elegeu. Mas, me desculpe, o senhor não sabe fazer a coisa certa.
- Por quê?
- O sr. tinha um concorrente aqui no bairro que era mais esperto. Em vez de ficar pagando dose separada, ele deixava logo o dinheiro para um litro e eu ia servindo. Evitava esse papo chato com pinguço.
- E quantas garrafas ele pagou durante a campanha.
- Vinte.
- Vocês donos de botequim calculam 17 doses por litro, não é? Então! Ou a pinga escapou pelo ralo, ou esses 340 pinguços não votam, ou era sempre a mesma pessoa que bebia. Essa técnica parece não ter ajudado muito o seu amigo...
Rui Bertoti