Os alunos do câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp) continuam firmes no posicionamento contra o fim da autonomia das universidades estaduais paulistas decretado pelo governador José Serra (PSDB). O objetivo dos universitários, em greve ao lado de docentes e servidores da Unesp desde 29 de maio, agora é fazer chegar à sociedade o que está acontecendo nos câmpus de todo Estado.
O sentimento que existe entre os alunos é de que muito pouco do que realmente está acontecendo chega aos olhos e ouvidos do cidadão comum, devido à falta de conhecimento sobre o tema e também a algumas coberturas jornalísticas parciais.
Para chamar a sociedade para a causa, um ato esta semana deve ser realizado na praça Rui Barbosa. “Vamos levar a discussão para a população através de um vídeo e uma peça de teatro. A gente quer ampliar a discussão”, diz Reinaldo Turollo Junior, aluno do quarto ano de jornalismo e membro da comissão de comunicação da greve dos estudantes da Unesp.
Desde o início do movimento os estudantes têm se preocupado em manter quem não está no câmpus informado através de um site (www.grevenaoeferias. blogspot.com). Agora a comissão de comunicação criou também uma comunidade no site de relacionamentos Orkut (http://www.orkut.com/Commun ity.aspx?cmm=33529799) para informar sobre o movimento e os eventos programados.
Para o professor de jornalismo impresso da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC), Ângelo Sottovia Aranha, a preocupação dos alunos em atingir a sociedade é um sinal do quanto a classe está consciente do que está se passando na relação entre governo e universidade pública.
Nesse aspecto, para Aranha o movimento atual é o mais importante dos últimos anos e também o mais politizado porque discute a retirada da autonomia das universidades e, com isso, o possível fim da pesquisa nas instituições estaduais paulistas, já que as verbas seriam controladas diretamente pelo governo. “Eles estão sentindo que vai acabar porque a verba para pesquisa não vai ser aprovada facilmente porque precisaria da aprovação de quatro secretarias e do governador”, diz.
Para Aranha, os alunos sabem que o fim da pesquisa de base na universidade pública afeta diretamente a sociedade. “Não é uma luta por interesses apenas dos estudantes, a pesquisa na área de humanas, de saúde, vai diretamente a favor da comunidade, da sociedade como um todo. A sociedade vai sofrer uma mudança muito grande a partir do momento em que nós dependermos de pesquisas realizadas fora do País”, alerta o professor.
Uma assembléia unificada será realizada hoje, às 14h, reunindo alunos, professores e funcionários. As três categorias devem alinhar as pautas de reivindicações e avaliar o movimento, que continua sem data para terminar.