Economia & Negócios

Compra de produtos usados gera economia de até 35%

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

A facilidade na obtenção de financiamentos tem feito com que muitas pessoas comprometam quantia considerável da renda mensal com prestações. Quando surge a necessidade (ou mesmo aquela vontade) de comprar algum móvel ou eletrodoméstico e o orçamento está apertado, uma boa opção são os chamados “brechós”, ou seja, lojas de produtos usados que chegam a vender itens com poucos meses de uso a preços em média 35% inferiores em relação aos novos.

Quem imagina que descontos como esses só se estendem a quinquilharias quebradas e inúteis, se engana. A reportagem constatou que existem ofertas de eletrodomésticos que ainda constam no catálogo dos grandes fabricantes. Um refrigerador da marca Consul, com sete meses de uso, é vendido por R$ 730,00 numa dessas lojas. Mas o proprietário revela que, se o interessado souber pechinchar, sai até por R$ 650,00.

O mesmo produto é vendido, em média, por R$ 990,00 em lojas de departamentos através da Internet. O dono do brechó ainda afirma que oferece garantia de quatro meses e divide o preço total em até três parcelas.

A disparidade dos preços em relação a produtos novos é o que realmente atrai os consumidores a lojas de usados. Enquanto a reportagem estava numa loja, o motorista Jefersson Donizeti entrou para perguntar o preço de um aparelho de DVD (R$ 120,00). “Vi que as coisas estavam bem conservadas e resolvi entrar. É uma mão na roda para quem não tem condição de comprar um produto novo”, opina.

José Edio Porto, 56 anos, oficial de conservação civil, estava comparando preços. “Já comprei algumas vezes. É bom, porque a maioria das coisas está em bom estado e a preço mais barato”, diz. “Uma televisão nova custa R$ 500,00, mas aqui achei por R$ 300,00”, completa.

A técnica em processamento de dados Helena Célia Gonçalves, 50 anos, afirma ter certa “compulsão” por produtos usados. Apesar de não gostar de visitar lojas especializadas na comercialização desse tipo de produto, ela não resiste a visitas periódicas em brechós mantidos por instituições.

Apesar de preferir itens antigos, suas últimas aquisições foram duas cadeiras para escritório. “Já achei muita coisa boa que ninguém dá valor”, afirma. “O que as pessoas têm que fazer é avaliar a serventia do produto e depois pechinchar. Esse é o segredo”, ensina.

Vendas

De acordo com Laércio Greatti, há 34 anos proprietário de uma loja de produtos usados do Centro da cidade, desde 2005 suas vendas cresceram 25%. Ele aponta o aumento na oferta de seminovos e o alto custo para transportar móveis durante as mudanças como pontos importantes para o aquecimento.

“Tem aparecido cada vez mais produtos com pouco tempo de uso de muita gente que está de mudança e avalia que não compensa levar as coisas para a nova cidade”, afirma.

Segundo ele, empresas cobram em média R$ 1,20 por quilômetro rodado. Nesse caso, um carreto para São Paulo não sairia por menos de R$ 800,00 (sem pedágios), já que a volta também é cobrada.

Greatti avalia que seus principais clientes são pessoas com baixa renda mensal e universitários. “No começo do ano (janeiro, fevereiro e março) fica lotado de estudantes. No decorrer dos outros meses, são mais pessoas que não têm acesso a financiamentos, recém-casados e até mesmo empresas e associações esportivas”, revela.

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Mais velho, mais caro

Apesar da grande oferta de produtos quase novos, boa parte da clientela dos brechós também procura itens com diversos anos de uso, principalmente quando o assunto é mobília. Pessoas de classe mais alta procuram relíquias e antigüidades”, segundo comerciantes ouvidos pela reportagem..

Móveis de madeira maciça com mais de 40 anos de uso são comuns nessas lojas. Mas o preço não é tão convidativo quanto o dos seminovos. Uma sala de jantar confeccionada em embuia (madeira com corte proibido atualmente) composta por mesa, oito cadeiras e oratório de mais de 2 metros de comprimento sai por R$ 1.600,00.

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