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Lula não acredita em envolvimento do irmão,mas quer investigação

Folhapress
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Nova Délhi - “Não acredito que o Vavá tenha envolvimento em qualquer coisa, não acredito mesmo. Agora, como presidente da república, se a PF tinha uma autorização judicial e o nome dele aparecia, paciência.” Assim o presidente Lula comentou o indiciamento de seu irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá, pela Polícia Federal. Vavá foi indiciado por tráfico de influência no Executivo e exploração de prestígio no Judiciário.

Em entrevista ontem de manhã em Nova Délhi, Capital da Índia, Lula afirmou que, “como irmão”, tem “um carinho pelo Vavá extraordinário”. Disse que duvidava de ele ter “algum problema” por conhecê-lo há 61 anos (a idade do presidente). Afirmou que Vavá é um de seus “melhores irmãos” e “uma espécie de pessoa que cuida dos problemas de todo mundo que tem um problema”.

Pediu “serenidade” à polícia em sua investigação. “A única chance que as pessoas têm de não serem molestadas é andar direito. É não cometer nenhum equívoco, não cometer nenhuma bobagem”, declarou.

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirmou ontem que o irmão mais velho do presidente Lula é um cidadão como qualquer outro brasileiro. Chinaglia não soube informar se Vavá é filiado ao PT. “Não cabe a mim analisar e muito mais pré-julgar. Acho que o Vavá é um cidadão brasileiro e eu o vejo desta maneira”, disse Chinaglia. “Qualquer vínculo partidário ou familiar, isso cabe a ele ou aos que tiverem qualquer tipo de vínculo resolver.”

Chinaglia não quis falar em nome do PT, mas apelou para que todos tivessem “respeito” à figura do presidente Lula. De acordo com o presidente da Câmara, o fato de Vavá ser irmão de Lula é um atrativo natural para notícias.

Ligação de preso

Benedicto de Tolosa Filho, advogado de Genival Inácio da Silva, o Vavá, disse que seu cliente foi envolvido na Operação Xeque-Mate da PF por conta de um telefonema que recebeu do empresário Nilton Cézar Servo - preso anteontem.

A PF realizou anteontem busca e apreensão na casa de Vavá, irmão mais velho do presidente Lula. Segundo Tolosa Filho, a conversa entre Vavá e Servo teve “caráter pessoal”. “Eles se conhecem há muito tempo. Servo gostava muito do meu cliente, que é uma pessoa muito simpática.”

Cézar Servo - apontado como suposto chefe da máfia dos jogos - é investigado pela PF por ser dono de máquinas de caça-níqueis em vários Estados. Tolosa afirmou ainda que Vavá nunca usou o nome do presidente Lula para fazer negócios ou obter vantagens profissionais. “Ele nunca usou o nome do irmão.”

A PF pediu a prisão de Vavá, mas a Justiça indeferiu o pedido alegando que o tráfico de influência e a exploração de prestígio não beneficiaram a máfia dos caça-níqueis e que ele não faria parte da quadrilha.

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Opiniões divididas

Brasília - O indiciamento do irmão mais velho do presidente Lula, Genival Inácio da Silva, o Vavá, por tráfico de influência no Executivo e exploração de prestígio no Judiciário, provocou reações diferentes ontem no Congresso. “Estou impressionado. Nunca vi nada tão deplorável no momento político e na democracia brasileira. No meio disso tudo há uma massa de pessoas que se sentem impotentes”, afirmou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).

“O que preocupa é que a primeira família esteja sendo investigada. O comentário do presidente, sugerindo que as investigações prossigam, é o mínimo que se espera de resposta”, disse o líder do DEM na Câmara, Onyx Lorenzoni (RS).

Para os aliados, a Polícia Federal atua corretamente e sem distinção nem diferenciação entre os denunciados. “Nós não temos informação suficiente ainda. Mas é exatamente o que o ministro da Justiça (Tarso Genro) disse: na operação da PF, não se vê parentes, graduação nem partidos políticos”, afirmou o senador Delcídio Amaral (PT-MS).

De forma semelhante reagiu o senador Wellington Salgado (PMDB-MG): “Nada mais me estranha, tudo pode acontecer. Não importa se é irmão do presidente da República. Se existe uma decisão judicial tem de ser cumprida”. Já o líder do PSOL na Câmara, Chico Alencar (RJ), não poupou críticas. “Infelizmente este não será o xeque-mate que vai derrotar a disputa que há entre máfias e as instituições públicas. Vão ser necessárias outros jogos de xadrez”, comentou ele, numa referência ao nome da operação da PF.

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