Economia & Negócios

Em 27% das vendas, remédio é trocado ilegalmente por similar

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

O barato pode sair caro e não fazer bem à saúde. É o que comprova um estudo encomendado pelo Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco), uma organização sem fins lucrativos localizada na Capital paulista. A pesquisa feita em sete Estados, incluindo São Paulo, mostra que 27% das vendas de quatro medicamentos pesquisados (antibióticos e antiinflamatórios) são feitas através da troca ilegal de pedido. Ou seja, mesmo com a receita médica nas mãos após passar por consulta, o consumidor opta por levar o remédio similar, que em alguns casos não tem o efeito esperado.

Muitas vezes, a pessoa é orientada pelos próprios balconistas de farmácias a levar o medicamento similar para casa, ao invés do genérico ou do remédio de referência prescrito pelo médico.

Segundo a pesquisa, em alguns casos essa prática ocorre associada a algum tipo de bonificação oferecida ao balconista para vender um medicamento similar e aumentar a margem de lucro da drogaria.

“Isso acontece, realmente. Fazer ou não (a venda ilegal dos similares) depende da ética do dono da drogaria”, afirma o proprietário de uma rede de drogarias em Bauru Rui Pagano Júnior. “É uma atividade ilegal. Mas algumas drogarias fazem isso porque recebem mais desconto ao comprar o produto”, revela.

De acordo com a pesquisa, trocar medicamentos sem o aval do médico expõe a população a riscos de saúde. Essa prática também pode fazer com que o paciente use medicamento de qualidade inferior ou inadequado ao seu caso e tome uma dosagem errada do remédio. Além disso, em muitos casos o similar pode custar quase 30% mais caro do que o genérico.

Riscos

Para o médico conselheiro do Conselho Regional de Medicina (CRM), Carlos Alberto Monti Gobbo, o ideal seria que todos os medicamentos passassem por todos os testes para aprovação ou não da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O paciente precisa ficar atento aos perigos que pode correr preferindo os remédios similares. “Mesmo se ingerir a mesma quantidade de remédio, os efeitos (do medicamento prescrito pelo médico e do similar) podem ser diferentes no organismo”, afirma.

O médico diz que o melhor é sempre desconfiar se o produto estiver muito barato. Segundo informações da Anvisa, a troca entre um medicamento prescrito pelo médico por um similar só pode ser feita por um farmacêutico, e não pelo balconista. Mesmo neste caso, o paciente precisa ser informado da troca de medicamentos.

Ainda assim, o farmacêutico deve acrescentar um carimbo na receita médica contendo seu nome, inscrição no Conselho Regional de Farmácia, data e assinatura. Já a substituição de medicamentos de referência por exemplares genéricos tem que ser baseada na relação de medicamentos aprovada pela Anvisa.

A estagiária Katiuce Medeiros dos Santos, 19 anos, sempre optou por comprar os remédios mais baratos. “Não sabia das diferenças. Agora vou comparar melhor os remédios antes de escolher”, diz. Guilherme Mendes já prefere comprar o remédio indicado pelo médico. “Acho que é o mais seguro”, diz.

Para os pacientes que utilizam a rede pública de saúde, a prescrição médica é sempre feita pela denominação genérica do nome ou princípio ativo do remédio. Mas isso não significa que o médico sempre prescreva somente o genérico. Ele adota esta medida porque existe uma lei no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) que determina a prescrição de um medicamento pelo seu nome genérico. É que o SUS usa a nomenclatura genérica nas aquisições das substâncias para abastecer os hospitais e postos de saúde.

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Mais barato

Os remédios de referência são mais caros do que os genéricos e os similares porque os fabricantes têm gastos com o desenvolvimento das drogas. Esta é a fase mais cara e demorada na elaboração de uma nova droga.

Por copiarem fórmulas já desenvolvidas, os laboratórios de genéricos não gastam com marketing, pois não há marca para ser promovida. Isso faz com que os genéricos custem menos.

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