Bauru está ficando grisalha. Em um quarto de século, a faixa etária da população bauruense mudou bastante. Se no início da década de 80, a maioria da população se concentrava na linha dos 10 aos 19 anos, atualmente, a maior parcela dos habitantes da cidade está na faixa dos 20 aos 29 anos. Mas entre os dados divulgados ontem pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), o que mais impressiona é o aumento do número dos “grisalhos”. Em 1980, eram 9 mil pessoas na faixa dos 45 a 49 anos. Em 2006, esse número aumentou para mais de 23 mil.
O índice de envelhecimento da população - proporção de pessoas de 60 anos ou mais por 100 indivíduos de até 14 anos –, que no início dos anos 80 era de 24,43%, em 2006 saltou para 49,7%. Há 26 anos, cerca de 32% dos bauruenses tinham menos de 14 anos. No ano passado, esse percentual caiu para 22%. Em contrapartida, a terceira idade, que na época era menos de 8% dos bauruenses, no ano passado já representava 11% da população.
Esse envelhecimento acontece em todo o Estado de SãoPaulo. Enquanto a presença de crianças de até 14 anos na pirâmide etária de São Paulo passou de 33,7%, em 1980, para 24,2%, em 2006, o percentual de idosos com mais de 60 anos subiu de 6,3% para 9,8% no período. Ou seja, apesar de acompanhar a tendência estadual, o envelhecimento de Bauru é mais acentuado.
Para o geógrafo Sebastião Clementino da Silva, o Macalé, o fato da população de Bauru estar mais velha que a média do Estado pode ser explicada também pela sua posição privilegiada no mapa. Segundo ele, que também é professor de geografia e geopolítica da Universidade do Sagrado Coração (USC), muitas pessoas que se aposentam e procuram uma cidade calma para viver, acabam optando por Bauru. “A tecnologia permite o recebimento da aposentadoria em qualquer cidade e muitas pessoas procuram em Bauru um lugar tranqüilo. Além disso, a cidade apresenta facilidade de fluxo viário”, observa.
De acordo com Macalé, a concentração de pessoas de 20 a 29 anos se deve ao aumento do número de universidades em Bauru. “São jovens que chegam na cidade para cursar faculdades e acabam ficando por aqui”, aponta. Outro fator indicado pelo professor para o envelhecimento da população, é a redução do número de filhos por casal. “Se na década de 60, a média era de 5,8 crianças por casal, atualmente é de 1,94. E a tendência é chegar a 1,2 até a metade do século”, prevê.
Qualidade de vida
Mais que uma constatação geográfica, o envelhecimento da população é uma realidade que os municípios vão ter que enfrentar. Apesar de Bauru contar com uma rede de vários serviços para a terceira idade, como os clubes e programas públicos, ainda falta investimento para melhorar, por exemplo, a acessibilidade dos idosos.
Na avaliação do coordenador do grupo da terceira idade do Serviço Social do Comércio (Sesc), Ricardo Cortazzi, para dar melhores condições a essa população que não pára de crescer, seria necessário traçar o perfil dos idosos de Bauru. “Mapear quem é esse idoso, em que bairro eles se concentram. Assim, seria mais fácil melhorar a acessibilidade”, avalia. Para o coordenador, se o governo investir em qualidade de vida para a terceira idade, evitaria tantos gastos com a saúde para essa população.
No Sesc, além das reuniões, os cerca de 350 idosos do grupo freqüentam academia e praticam esportes. As mulheres representam 90% do grupo. “E para muitas, essa é a primeira oportunidade de liberdade, o primeiro momento individual depois de anos cuidando exclusivamente da família”, observa.
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Cidades
Entre os 645 municípios paulistas, os três que mantêm a maior proporção de pessoas com mais de 60 anos na pesquisa da Fundação Seade foram Águas de São Pedro (21,2%), Santa Rita d’Oeste (19,9%) e Santana da Ponte Pensa (19,8%).
As três localidades com os menores percentuais de pessoas nessas condições foram Itaquaquecetuba (4,4%), Francisco Morato (4,5%) e Jandira (4,6%).
Da Redação