Indignados com a falta de qualidade das refeições que receberam, funcionários do Pronto-Socorro (PS) da Bela Vista chegaram a jogar no lixo algumas marmitas cheias ontem à noite. A comida, armazenada em embalagens de alumínio, deveria ser o jantar das cerca de 15 pessoas que trabalhavam no PS na noite de ontem, mas exalava um cheiro que denunciava a deterioração. O alimento também não tinha uma boa aparência, a ponto de não poder ser identificado o tipo de imediato.
Segundo funcionários do PS, não é a primeira vez que o alimento chega estragado. “Isso já aconteceu dezenas de vezes e ninguém faz nada. Não podemos dizer nossos nomes porque já fomos constrangidos quando reclamamos outra vez”, denuncia um funcionário, já explicando o anonimato. De acordo com ele, uma funcionária da marmitaria que fornece o alimento que também para o Pronto-Socorro Central (PSM), disse que, às 14h, os pratos que seriam entregues para o jantar das duas unidades já estavam prontos.
“É um absurdo, agora vamos ficar 12 horas sem comer porque não podemos deixar o prédio”, disse o funcionário. Uma de suas companheiras de trabalho disse que, em outras situações, os funcionários foram obrigados a pedir pizzas. Em outra situação, a administração dos Pronto-Socorros teria tentado contornar o problema enviando pão com ovo para os funcionários.
Os funcionários do PS da Bela Vista suspeitam que houve alguma irregularidade no contrato para fornecimento de alimento para as unidades. “Isso já aconteceu tantas vezes e ninguém fez nada. Alguém deve ter lucrado ou deve estar lucrando com o contrato com essa marmitaria”, acusam os servidores.
A reportagem tentou entrar em contato com a direção do Pronto-Socorro da Bela Vista mas até o fechamento desta edição não havia conseguido falar com o responsável pela unidade.
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Atendimento precário
Além dos problemas com a comida dos servidores, os opacientes do PS da Bela Vista enfrentavam demora no atendimento. Pelo menos 50 pessoas se aglomeravam pelos corredores e a entrada da unidade à espera de uma consulta. Segundo um dos funcionário, a situação é comum no Pronto-Socorro a ponto de ser encarada como normal. De acordo com ele o PS, embora seja um prédio grande e bem estruturado, não tem organização e material humano suficientes. “Temos uma chefe que é farmacêutica e não enfermeira. Não temos um pediatra. Como essas coisas podem acontecer num Pronto-Socorro?”, questiona.
No corredor à espera de atendimento, a dona de casa Maria Cristina Fernandes, que sofre de asma, reclamava. “Ninguém está nem aí para os pobres. O prefeito não está nem aí. A gente está virando lixo”, protestou. Já acostumada com a demora no PS, a dona de casa Fátima Martins, que levou um amigo para ser atendido, sentenciou: “Pronto-socorro é uma questão de paciência. Enquanto a gente pode esperar, espera”.