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Termina ‘seqüestro’ do sagüi bicolor

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Depois de dois dias de angústia e apreensão, o drama do sagüi bicolor chegou ao fim. Ontem pela manhã, por volta das 10h30, o animal foi reencontrado são e salvo pela Polícia Militar (PM). Ele estava em uma caixa de sapatos que havia sido abandonada na quadra 7 da rua Professor José Ranieri, no Centro.

Apesar de haver enfrentado o frio das últimas madrugadas, o macaco aparentava estar bem de saúde. Nascido no Centro de Climatologia do Rio de Janeiro, ele está acostumado ao convívio com os seres humanos. Por essa razão, o primata não chegou a dar trabalho aos policiais que fizeram o resgate. A PM descobriu a localização do sagüi graças a uma denúncia anônima.

“Um pessoa nos ligou para dizer que um veículo de cor escura (marca ainda não identificada) havia acabado de abandonar uma caixa de papelão numa calçada da rua José Ranieri. Ao chegarem ao endereço indicado, nossos agentes perceberam que havia algo se mexendo no interior da embalagem. Eles levantaram a tampa para checar e viram que se tratava do animal desaparecido”, conta o tenente Gustavo Cardoso Xavier, do Comando de Força de Patrulha da PM.

O autor da denúncia informou ao atendente que três pessoas estariam no interior do veículo. A polícia não descarta a hipótese de que a ligação anônima possa ter partido dos próprios “seqüestradores”. Assustados com o desenrolar dos acontecimentos, os ladrões teriam preferido devolver o sagüi às autoridades, evitando assim que caso adquirisse conseqüências ainda mais graves.

De fato, o “seqüestro” do pequeno símio gerou uma verdadeira comoção pública na cidade. Um fator ajudou a deixar a situação ainda mais dramática: natural de regiões de clima quente (Norte do País), o sagüi bicolor dificilmente conseguiria sobreviver ao inverno de Bauru. Mantido a temperaturas inferiores a 20 graus, o macaco seria capaz de suportar, no máximo, três dias.

Entre anteontem e ontem, a PM recebeu inúmeras ligações anônimas que informavam possíveis paradeiros do sagüi. Agentes e viaturas ao redor da cidade foram mantidos de sobreaviso pelo comando da PM. Um grupo de empresários de Bauru chegou a oferecer recompensa de R$ 1,5 mil para quem fornecesse informações que pudessem levar ao “cativeiro” do animal “seqüestrado”.

O cerco aos criminosos estava fechado. “A ampla cobertura do furto feita pelos meios de comunicação foi essencial para que o caso tivesse desfecho positivo. Ela praticamente impossibilitou que o animal pudesse ser comercializado no território brasileiro”, acredita Luiz Pires, diretor do Jardim Zoológico Municipal.

Restituído à segurança do lar, o sagüi bicolor (também conhecido como “da-cara-nua”) já dava sinais de haver retornado à antiga rotina. Dependurado à tela que envolve sua jaula, ele assobiava a todo momento para as pessoas que passavam pelo local. Nem parecia que ele havia acabado de passar por uma experiência traumática.

“Eu nem sabia que esse macaco havia sido ‘roubado’ (na verdade ele foi furtado)”, disse o auxiliar de pintura Alex Neris, 20 anos. Natural de Arapongas (PR), ele aproveitou o feriado de ontem para visitar o Zôo de Bauru. Por pouco - bem pouco - ele e seus familiares não se depararam com uma cela vazia no local onde agora repousa tranqüilo o sagüi.

Vulnerabilidade

Luiz Pires admite que o caso do furto do sagüi pôs em evidências as falhas de vigilância existentes no Jardim Zoológico Municipal. “Esse crime mostrou que nosso sistema de segurança tem vulnerabilidades que precisam ser corrigidas”, reconhece ele.

Instalado numa área de aproximadamente 50 mil metros quadrados, resquício de uma antiga reserva de vegetação nativa, o Zôo conta, atualmente, com apenas três vigilantes. À noite, vielas e corredores que dão acesso aos cativeiros costumam ficar sob completa escuridão para evitar que o sono dos animais seja afetado. As jaulas são protegidas apenas com cadeados e não contam com sistemas sofisticados de alarme

O Secretário Municipal de Meio Ambiente, Rodrigo Agostinho de Mendonça, que esteve presente ontem ao Zôo, garantiu que pretende mudar essa realidade. Na próxima semana, ele e o diretor do Zôo irão se reunir com o Chefe do Gabinete, João Baptista Campos Porto, para discutir a instalação de um moderno sistema de monitoramento no local.

Ele afirma que os estudos para ampliação da segurança do Zôo já se encontram em estágio avançado. “O problema é que, como elas não constam no Orçamento do Município, não temos como levá-las adiante”, explica Agostinho.

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