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Macaco-prego que atormentava o Vale do Igapó é ‘detido’ por biólogo do Zôo

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

A diversão acabou para o macaco-prego do Vale do Igapó. Cerca de duas semanas após sua aparição inesperada, o primata de aproximadamente 50 centímetros de altura acabou sendo “detido”, ontem pela manhã.

Durante os quase 20 dias em que permaneceu nas matas próximas ao conjunto de chácaras situado na região leste do Município, o animal manteve uma convivência ambígua com os moradores. Por um lado, ele era visto como uma espécie de “atração”. “Uma mulher me contou que deixava o macaco subir em seu ombro”, conta o biólogo do Jardim Zoológico Municipal, Gérson Rodrigues.

Extasiados com a ilustre visita, alguns moradores mais hospitaleiros chegavam a alimentar o primata. Logo, porém, o símio passou a exibir uma outra personalidade, por sinal, nada amável.

Não foram raras as vezes em que ele invadiu as casas daqueles que o alimentaram, promovendo verdadeira desordem. “Sei de uma mulher do Vale do Igapó que teve a casa totalmente destruída pelo macaco”, conta Rodrigues.

Aos poucos, o primata foi demonstrando também ser um “indivíduo” violento. Ele costumava avançar a dentadas sobre aqueles que se atreviam a expulsá-lo. Assustadas, as pessoas tiveram de recorrer às autoridades.

Bombeiros e polícia fizeram inúmeras tentativas de capturar o “visitante indesejado”, sem sucesso. Gérson Rodrigues se viu obrigado a entrar no caso. Ontem, às 9h, munido com uma banana nanica, quatro comprimidos de Diazepan 10 miligramas e uma gaiola grande, o biólogo rumou para o Vale do Igapó.

Ele moeu os medicamentos e introduziu o pó no meio da fruta; depois, pediu para que uma das “vítimas” (uma senhora, cuja casa havia sido invadida pelo animal) oferecesse a “comida batizada” ao “macaco sem noção”. O bicho apanhou a banana, subiu no telhado da casa e ali permaneceu. Rodrigues teve de esperar quase uma hora até que os remédios começassem a fazer efeito.

A captura do animal não foi tão simples como ele imaginava. Ao se ver acuado, o macaco-prego resolveu utilizar seu direito à legítima defesa: usando as patas traseiras, ele desferiu diversas unhadas nos braços do biólogo. “Ainda bem que não foram dentadas. Olha o tamanho dos caninos dele”, disse, exibindo o bicho já enjaulado. O animal será mantido sob custódia do Jardim Zoológico Municipal. Apesar de ser uma espécie bastante comum no território brasileiro, o macaco-prego não habita as matas próximas a Bauru.

Rodrigues desconfia que ele tenha escapado de algum cativeiro clandestino. “Do contrário ele teria medo de se aproximar dos seres humanos”, afirma. Tanto o biólogo quanto o macaco passam bem.

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