Geral

Bauruense emite cerca de 600 quilos de gás carbônico na atmosfera por ano

Daiana Dalfito
| Tempo de leitura: 5 min

Cada habitante de Bauru contribui para o superaquecimento e o efeito estufa do planeta com a emissão de 0,6 tonelada de gás carbônico por ano, ou seja, 600 quilos. Juntando a população como um todo, Bauru é responsável por 240 mil toneladas de CO2 na atmosfera anualmente. Para compensar tal emissão seria necessário o plantio de 555 mil árvores/ano.

O número grande de árvores a serem plantadas é algo impensável pelo alto custo e falta de área disponível. Porém, cada pessoa pode ajudar a diminuir o impacto do alto consumo e da poluição no planeta com atitudes simples. A Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), visa adotar essa política de redução de danos.

O Programa Municipal de Mudanças Climáticas, baseado nas previsões apontadas pelo último relatório do IPCC (sigla em inglês para Painel Governamental de Mudanças Climáticas), prevê para a região de Bauru a ocorrência de estiagens e tempestades mais fortes. Para que a cidade possa enfrentar as adversidades do clima decorrentes do aquecimento global, o programa pretende realizar um inventário municipal de emissões atmosféricas, já que os dados da emissão de gás carbônico por habitante/ ano de Bauru é baseado em uma projeção nacional.

“Acreditamos que a emissão em Bauru seja muito maior, apesar de não ser uma cidade altamente industrializada”, salienta o secretário do Meio Ambiente, Rodrigo Agostinho de Mendonça. Ele aponta a grande frota de veículos (cerca de 200 mil), algumas indústrias que queimam combustíveis e o gás metano desprendido do aterro sanitário como principais agentes poluidores da atmosfera.

O programa pretende atingir dois pontos: dar o exemplo para a população e outras prefeituras e adaptar a cidade para enfrentar as alterações do clima. “É um projeto piloto e vamos ter que dialogar com outras entidades e órgãos, como a Secretaria de Obras, para evitar inundações, e o Departamento de Água e Esgoto (DAE) para pensar as reservas de água”, explica o secretário. A frota da prefeitura também é alvo do Programa de Mudanças Climáticas.

Segundo a Semma, apenas em 2006 foram consumidos 299.592 litros de gasolina e 492.214 litros de diesel pelos veículos da prefeitura. O gás carbônico resultante da queima desses combustíveis fósseis chegou a 1.828 toneladas, aproximadamente. Para compensar, a prefeitura precisaria plantar, no mínimo, 4.217 mudas de árvores.

“A frota da prefeitura está sucateada e antiga, será preciso trocá-la com o tempo. Enquanto isso não acontece, a conversão dos veículos para o gás veicular, mais econômico e ecologicamente correto, é uma saída”, afirma Agostinho. Além dos levantamentos e da sugestão para o combustível ecológico para a frota da prefeitura, o programa ainda cuida da educação ambiental e plantio de mata ciliar como medida compensatória.

A compensaçãoa também precisa ser adotada pelo cidadão. Medidas simples como economizar energia elétrica, trocar o carro por outro movido à combustível “limpo” como álcool, biodiesel ou gás natural veicular. Plantar árvores no quintal ou em frente à casa ou optar pelo transporte coletivo, bicicleta e a caminhada ao invés do carro, também são opções.

Mudando hábitos

Sustentabilidade. Essa é a palavra que deve fazer parte do dia-a-dia das pessoas. A engenheira Marilena Venturini trabalha e defende a construção sustentável, ou seja, casas e prédios pensados para diminuir o impacto na natureza. “A construção, assim como outros hábitos, precisa ser baseada nos 4R’s: reduzir, reutilizar, reciclar e repensar”, salienta.

Venturini mora em uma casa ecologicamente correta, construída com tijolos de demolição, captação de água de chuva em cisternas, grandes janelas que facilitam a ventilação e a iluminação dos ambientes e diminuem o consumo de energia elétrica com luzes e ar condicionado.

Além disso, a engenheira optou por não se mudar para um condomínio fechado para poder ir à padaria e à banca de jornal a pé. “Uso o carro quando necessário, onde moro é possível fazer revesamento com os vizinhos e organizar as caronas evitando o deslocamento de vários veículos para um mesmo lugar”, completa.

A engenheira ainda explica que, no caso da construção, o projeto é essencial para que o desperdício de materiais seja contido. O gasto desnecessário de materiais gera poluição de duas formas: a extração de matérias naturais somado ao gasto de energia para a produção e o entulho em si. A cada 100 casas construídas, seria possível construir outras 30 apenas com o material desperdiçado, alerta Venturini.

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Alterações no clima

As alterações no clima previstas para Bauru e região são as estiagens prolongadas e tempestades mais fortes. O Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) vem fazendo experimentos para que os métodos de detecção de chuvas e tempestades sejam ainda mais precisos.

Segundo o diretor do IPMet, Roberto Vicente Calheiros, hoje é possível saber com até um dia de antecedência a ocorrência de chuvas em uma região de uma maneira geral, mas só é possível saber a intensidade com antecipação de uma hora a 15 minutos.

A previsão, mesmo parecendo curta, é importante para que alertas de evacuação para áreas de alagamento sejam dados a tempo, bem como sejam tomadas medidas de redução de danos na agricultura. As pesquisas através do radar pretendem diminuir o tempo entre a previsão e a chuva e aumentar a precisão em relação ao lugar e a intensidade que ela vai ocorrer.

Gás carbônico

Para o levantamento da emissão média de gás carbônico por habitante no Brasil, são levados em conta uma série de fatores, como a utilização de usinas termoelétricas, transportes movidos a combustíveis fósseis como a gasolina, indústria e geração de gás metano pela decomposição do lixo em aterros sanitários.

O relatório é feito anualmente por todos os países e enviados à Organização das Nações Unidas (ONU), segundo exigências do Protocolo de Kioto sobre as mudanças no clima do planeta. No Brasil, as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo estão fazendo estimativas sobre a emissão de gás carbônico por habitantes ao ano. No Interior, apenas Bauru deve colocar a iniciativa em prática.

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