Era uma manhã ensolarada, como outra qualquer. Como costuma fazer todos os dias, Jair Ferreira, 51 anos, morador no Núcleo Presidente Geisel, resolveu acordar cedo para trabalhar. Aposentado, ele complementa a renda familiar realizando “bicos” de pedreiro pela vizinhança.
Aproveitando o feriado de ontem, sua esposa, seus filhos e seus netos resolveram visitar uma parente que vive em um bairro não muito distante. Tudo parecia correr normalmente. Jair trabalhou durante duas horas, quando foi alterado por um grito.
Minutos depois, toda a vizinhança podia ver em seu rosto a expressão desolada de alguém que acabara de ser vítima de um crime sem explicação. Seu carro, um Monza branco fabricado ainda nos anos 80, estava completamente destruído em decorrência de um incêndio.
“Foi perda total”, disse. O fogo foi tanto que chegou a afetar o teto da garagem. As chamas fizeram com que enormes buracos surgissem nas telhas de amianto.
Os bombeiros foram acionados, a polícia também; minutos depois, o incêndio estava controlado. Foi por pouco. No momento em que as viaturas estavam estacionando, o fogo começava a se alastrar pelas cortinas da sala da casa.
Desolado, Jair assistia a tudo sem esboçar reação. O veículo, comprado no ano passado por R$ 5,8 mil, não tinha seguro. “Fazer o quê? Na verdade, eu fiquei mais preocupado com a casa”, disse o aposentado.
A polícia e os bombeiros suspeitam que o fogo tenha sido criminoso. Jair e o restante da vizinhança também. Fortes indícios ajudam a sustentar a hipótese. O principal deles era a presença de uma garrafa de álcool hidratado no local do incêndio.
A embalagem de meio litro estava completamente vazia. O pedreiro mora há 20 anos no Geisel e sempre foi amigo de todos. “Nunca tive problemas com vizinhos”, garante. Até o momento, não há indícios que possam levar ao paradeiro de supostos criminosos.
A Polícia Civil continuará investigando o caso. No momento, o que mais interessa o aposentado Jair, que trabalha até de feriado para poder sustentar a família, é consertar os estragos provocados pelo incêndio. “Vai ficar em R$ 10 mil para arrumar isso aqui”, calculava.
Ninguém ficou ferido em decorrência das chamas. Mas foi por sorte. Minutos antes da chegada dos bombeiros, a cadela Duda, de propriedade de Jair, latia desesperada. “Se demorassem um pouco mais, ela não escaparia”, disse o dono.