Regional

Cana duplica e ocupa 80% de terras

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

Jaú - A ocupação da área cultivada com cana-de-açúcar saltou de 40% para 80% nos últimos dez anos na microrregião de Jaú. O principal fator foi a busca do proprietário de terras por lucratividade por alqueire. Segundo Francisco Paulo Brandão, presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú (Associcana), a expansão da lavoura da cana é uma tendência marcante nos municípios de Jaú, Bariri, Arealva, Itaju, Boracéia, Dois Córregos, Mineiros do Tietê e Bocaina.

Para Brandão, o proprietário busca na cana-de-açúcar um refúgio para obter lucratividade, escassa em outros segmentos agropecuários. “Não tinha outra alternativa de renda e então ele (produtor) foi se fixando na cana-de-açúcar”, disse à reportagem do JC.

Atualmente, a Associcana congrega 910 filiados que produziram na safra 2006-2007 aproximadamente 3,3 milhões de toneladas de cana.

Brandão comenta que o valor da terra na microrregião de Jaú está entre R$ 40 mil e R$ 70 mil o alqueire. O rendimento da cana por alqueire é muito superior do que o atingido por outros segmentos da agricultura. Como exemplo, Brandão cita o baixo rendimento alcançado com a pastagem para o gado. “Ela podia ser uma invernada que comportava no máximo duas cabeças de gado, valendo R$ 2 mil, em cima de uma área que valia R$ 50 mil a R$ 60 mil. Nem tinha rendimento”, compara.

Expansão

Nos últimos dez anos, o que era uma troca de cultura passou a ser uma expansão em processo acelerado para a lavoura da cana na microrregião de Jaú. O avanço representa uma substituição gradativa do café, da pastagem, do milho e de outros cereais. Brandão lembra que Jaú foi uma das áreas produtoras de café mais respeitadas do Estado de São Paulo. No entanto, com o fim do ciclo cafeeiro chegou a vez da cana. “Do que era (café), hoje tem 5%”, avalia.

Após 10 anos, esse movimento dobrou o espaço de terras cultivadas com cana. E segue acelerando. Brandão ressalta que a produção da cana, agora patrocinada pelo marketing do etanol, continua se estendendo para outras áreas do Estado, como na região de Bauru.

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