De uma idéia despretensiosa à rede de franquias que já se espalha pelo Estado. Em apenas dois anos, a Provence Lingerie, empresa que nasceu das vendas de porta em porta em Bauru, se tornou franqueadora de unidades que já foram abertas em São José do Rio Preto, no condomínio Alphaville, em Barueri, entre outras unidades. Em ampla expansão no Brasil, o setor de franquias gerou R$ 25 bilhões em 2001, segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF). Esse volume aumentou para R$ 39,8 bilhões no ano passado.
De acordo com Luiz Evandro Manflin, gerente administrativo da rede de franquias da Provence, o projeto começou há dois anos, quando um amigo fez a proposta de abrir uma loja da rede em outra cidade. “Acabamos não fazendo, porque a empresa não tinha estrutura, mas ficamos um ano namorando a idéia”, lembra.
Depois de um ano de planejamento, pesquisas e estudos, a primeira franquia da Provence foi aberta em Ribeirão Preto. “Ela foi instalada no bairro Boulevard, que é como se fosse a nossa zona sul, que abrange mais o nosso público”, observa.
Para Manflin, a iniciativa de investir em franquias foi, mais do que uma experiência, uma necessidade para expandir o negócio. “A Marinez (mãe de Evandro e fundadora da Provence) começou na venda de porta em porta e fez as quatro lojas em Bauru. Crescemos aqui, mas agora a rede estagnou. Não dava mais para crescer em Bauru com lojas, daí a opção de ampliação foi na franquia”, avalia.
A diferença que a empresa mantém dos outros sistemas de franquias está no relacionamento com o franqueado. “Muitas pessoas resolvem investir o dinheiro de uma vida inteira. É preciso conhecer muito bem cada lado, o perfil do franqueado, para avaliar se vale a pena”, pondera.
Para isso, a Provence periodicamente realiza reuniões em cada unidade franqueada. “É o que muita franquia chama de visita técnica ou check list, mas não usamos isso. A idéia é de ir ao franqueado para levar soluções e trazer idéias. Com eles, nós acrescentamos muito. É um aprendizado o tempo todo. A oxigenação de informação é constante”, explica Manflin.
Além dele, também trabalham na rede seus irmãos Rafael, que atua no departamento de recursos humanos, e Fernando, no setor de tecnologia.
O sistema
O princípio de franquia é padrão. Cada loja segue a receita vencedora criada pela matriz. Ao repetir a fórmula, já testada, o franqueado evita uma série de erros que uma empresa iniciante enfrenta. “Nesses 17 anos a gente já errou muito e o franqueado economiza todos esses erros”, observa Manflin. De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), 60% dos negócios falem antes dos dois primeiros anos. E cerca de 80% não sobrevivem aos cinco primeiros anos.
O principal ingrediente da receita de sucesso da Provence Lingerie é o conceito de atendimento diferenciado ao cliente, revela o gerente. Mas na relação de sociedade com o franqueado, além do tratamento dos clientes, a empresa deve determinar as diretrizes do negócio, estratégia de marketing, até mesmo o melhor lugar para a loja ser aberta.
“Porém, não podemos engessar muito o padrão, afinal, a gestão é do franqueado. No nosso modelo a gente permite algumas iniciativas por entender que cada cidade tem seu regionalismo. Nós sentimos isso aqui, entre as quatro lojas de Bauru”, observa Manflin.
Essa liberdade pode ser observada em promoções que as franquias podem fazer, oferecendo descontos em algumas linhas. “Porque alguns produtos que vendem muito bem aqui podem vender menos lá. E o contrário também, porque os clientes são diferentes”, avalia o gerente.
O padrão vai desde a disponibilização dos produtos na loja ao treinamento da equipe. Depois de fechado o negócio, toda a equipe da nova unidade passa por uma capacitação. “Treinamento de vendas, marketing, administração, todas as áreas que envolvem a empresa”, informa o gerente.