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Finalmente, rio Bauru voltará à vida

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Ele corre manso desde a nascente no Residencial Lago Sul, às margens da rodovia João Baptista Cabral Rennó (Bauru-Ipaussu), e segue até a foz no rio Tietê, em Pederneiras. Em seus 42 quilômetros de extensão, o rio Bauru possui apenas cerca de três quilômetros de água límpida. O restante é puro esgoto. Depois de tanto tempo sendo castigado pela omissão do poder público municipal, parece, finalmente, que o rio Bauru passará por uma transformação.

O Departamento de Água e Esgoto (DAE) deu novo fôlego à implantação de interceptores de esgoto em toda cidade. O trabalho estará completo apenas em 2013, quando deverá ser concluída a construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). Só depois disso, o rio voltará a ter vida aquá-tica, como no início do século passado.

Ver a água limpa e cheia de peixes em toda a extensão do rio é uma possibilidade ainda muito distante, mas pelo menos alguma coisa começou a ser feita para que um dia isso se concretize.

De acordo com as previsões da bióloga Fernanda Ribeiro de Franco, do Instituto Ambiental Vidágua, o rio Bauru deve levar de três a quatro anos para ficar totalmente limpo, porque a quantidade de esgoto presente na água é muito grande. Além disso, o rio continuará recebendo as águas das galerias pluviais, que sempre trazem algum tipo de poluição.

Já o córregos que deságuam no rio Bauru ficarão limpos mais cedo. Fernanda acredita que levará de seis meses a um ano para isso acontecer. Na opinião da bióloga, será preciso fazer um trabalho de aprofundamento da calha em alguns pontos dos córregos para evitar seu desaparecimento.

Segundo ela, alguns córregos já sofrem com o assoreamento e a tendência é a situação ficar ainda pior quando o esgoto deixar de ser lançado no córrego. O volume de água vai baixar e o córrego pode secar. Por isso, o aprofundamento da calha será importante.

Quanto aos peixes, Fernanda diz que eles devem surgir assim que o rio deixar de receber o esgoto. Sem o esgoto, haverá mais oxigênio na água, conseqüentemente, mais peixes e outros tipos de vida aquática. Com o atual nível de poluição, o único ser que ainda é visto no rio é o cágado, animal parecido com uma tartaruga.

Mas quem imagina poder pescar e comer os peixe do rio Bauru, vai ter de esperar. Segundo a bióloga do Vidágua, por um bom tempo a água continuará com alto grau de contaminação e, comer os peixes pescados ali, não será uma boa idéia.

Além do esgoto doméstico, o rio Bauru vem recebendo também toneladas de esgoto industrial, responsável pelo acúmulo de metais pesados em suas águas. Enquanto o rio não se livrar dessas substâncias químicas, o risco de contaminação dos peixes sempre existirá. E isso pode levar anos.

A despoluição do rio Bauru está sendo gradual. Alguns afluentes já estão completamente ou parcialmente despoluídos. Os interceptores que estão sendo instalados pelo DAE estão desviando o esgoto que seria lançado nesses córregos para outros pontos do rio Bauru, mais abaixo.

Com isso, os afluentes e alguns pontos do rio vão ficando livres da poluição. A idéia é concentrar o lançamento do esgoto no ponto em que o rio Bauru deixa a zona urbana, um pouco à frente do Jardim Mendonça e do Distrito Industrial 1, na zona leste da cidade.

Desta forma, o trecho do rio que passa por dentro de Bauru ficaria limpo. A despoluição total do rio, que inclui também o trecho que vai até o rio Tietê, só será possível com a entrada em funcionamento da ETE.

A obra está orçada em R$ 70 milhões. A primeira etapa deverá ser concluída até o fim do ano que vem. A segunda em 2011, e a terceira, em 2013. De acordo com a assessoria de imprensa do DAE, todo o serviço está sendo feito com recursos próprios, sejam financeiros ou de mão-de-obra e maquinários utilizados na obra.

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