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Drogas, tráfico e bens materiais

Daiana Dalfito
| Tempo de leitura: 2 min

Drogas. Um ponto a ser levado em conta quando o assunto é crime contra o patrimônio. O dinheiro é palavra-chave desse contexto. Foram as drogas que motivaram um garoto de classe média a fazer assaltos. “João” (nome fictício), 23 anos, é toxicômano e perdeu o controle quando começou a fumar crack. “Fumei meu primeiro cigarro no meu aniversário de 13 anos”, conta João.

Com 16 anos ele participou de seu primeiro assalto. “Numa noite de terça, um dos mais velhos da turma passou em casa e me chamou pra uma ‘fita loca’ (assalto), já que eu pilotava bem a moto. Fomos assaltar uma lojinha da tia do meu amigo, uma espécie de brechó que vendia coisas do Paraguai”, contou.

O lucro foi de R$ 3 mil. João foi deixado em casa e o amigo nunca mais voltou. João acredita que ele tinha dívidas com o tráfico e foi assassinado. Era um jovem de classe alta de Bauru. Ainda aos 16 anos, João passou do “mesclado” (cigarro de maconha com crack) ao crack puro, chegava a “bater” 12 horas fumando pedra. “Eu fumava direto, pedia dinheiro pro meu pai, mas quando eu tinha 18, 19 anos ele cortou a grana”, explica.

Sem dinheiro, João trocou um capacete de R$ 300,00 por um “berro” calibre 32. Ele assaltava postos de gasolina e pessoas no trânsito durante a noite. Mas um dia, o assaltado fechou João, que caiu e se feriu. Foi fichado. Assalto, tráfico, agressão, depredação. “Alguns processos eu ainda respondo, mas nunca fui preso.” Atualmente, ele está em recuperação.

Por sua vez, “Silva” (nome fictício), também com 23 anos, começou a fumar maconha com 17 anos, em sua cidade. Veio para Bauru em busca de emprego e estudo e se empregou em um restaurante. “Eu não me interessava por outras drogas, mas alguns funcionários usavam e eu experimentei (crack)”, contou. Foi no restaurante que ele cometeu seu primeiro furto. “Um celular esquecido em uma mesa, não sei por que eu peguei. Fui mandado embora”, disse.

Logo arranjou emprego em um bar, e no novo trabalho furtava pacotes de cigarro, bebidas baratas e dinheiro para trocar por “pedra”. “Eu não queria, chegava a me trancar em casa pra não usar, mas os colegas batiam na porta. Voltei a furtar”, desabafou. O furto maior foi o de uma TV 29” de um vizinho. Hoje, Silva está em recuperação.

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