Polícia

Passeata pede mudanças no País

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

Após mais de dois meses da morte do mecânico Jorge Luiz Lourenço, 22 anos, uma passeata realizada ontem pelo Centro de Bauru relembrou o caso e pediu mudanças. O casal Elson Lopes Vieites e Rosa Cristina, pais do garoto João Hélio Vieites, 6 anos, morto no Rio de Janeiro durante assalto em fevereiro deste ano, veio caminhar em solidariedade à família do mecânico, reforçando o coro de pedidos de transformação.

Os participantes iniciaram a concentração na praça Rui Barbosa. Saíram pelo Calçadão da Batista de Carvalho por volta das 15h20. Segundo policiais militares da Base Centro, cerca de 150 pessoas participaram da mobilização.

Empunhando cartazes e faixas estampando a imagem das vítimas, entraram na quadra 1 conclamando a população a participar do ato. No final da primeira quadra, foi iniciado um apitaço e novas palavras de ordem foram entoadas. Uma faixa tinha como mensagem “Paz, Justiça e Mudanças Já!”.

Na manifestação de ontem, Elson Lopes Vieites e a esposa Rosa Cristina levavam um banner com a frase “João Hélio - Um Anjo pela Paz. Saudades Eternas. Que não seja em vão!”. O casal tem participado de várias mobilizações para tornar visível o sentimento de mudança e também como forma de pressão das autoridades. Elson defende a redução da maioridade penal. “Estamos tentando transformar nossa dor e sofrimento em mudanças positivas”.

Quanto ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), ele diz que é “uma vergonha nacional”. “São necessárias atualizações e endurecimento de penas para que não haja essa precipitação de facilidades com o menor, dizer que vai fazer e acontecer e não vai ser punido”, avalia.

Ele argumenta que o menor envolvido na morte de seu filho vai ficar no máximo três anos cumprindo medida socioeducativa e poderá ganhar liberdade vigiada, dependendo da avaliação a cada quatro meses. “No Rio, 18% dos crimes têm envolvimento de menores. Só Brasil e Peru têm a maioridade penal de 18 anos. No mundo inteiro, é 16 para baixo.”

A contadora Karina Agnelli e familiares de Jorginho organizaram a manifestação de ontem. Agnelli integra o grupo “Anjos Pela Paz”, criado pela família de João Hélio para lutar contra a violência. O mecânico Jorge Luiz Lourenço morreu com um tiro na cabeça, disparado durante perseguição da Polícia Militar (PM) no último dia 5 de abril.

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