Bauru aparece em segundo lugar no Estado de São Paulo no ranking de municípios com denúncias de abuso sexual infanto-juvenil - atrás somente da Capital. Somando todos os casos registrados desde 2003 pelo Disque Denúncia do governo federal (como exploração sexual infanto-juvenil, negligência, violência contra crianças e adolescentes e abuso), o município surge em quinto lugar - perde somente das populosas Guarulhos, Osasco e Campinas.
A colocação da cidade nesse ranking surpreende por dois motivos. Pelo tamanho das outras e porque, em 2004, Bauru simplesmente não fazia parte de uma lista de 93 municípios escolhidos como os focos para o enfrentamento da exploração sexual comercial (neste item específico Bauru aparece em 10.º lugar). E não se trata do caso único: Franca também está de fora dessa matriz de combate e agora aparece em 14.º lugar na colocação geral.
Um dos motivos para essas alterações gigantescas atende pelo nome de sub-notificação. Se à primeira vista Bauru e Franca deveriam se envergonhar por subir nesse ranking, quem acompanha o tema de perto informa que, infelizmente, o que ainda reina é a cultura do silêncio - seja pelo medo de fazer denúncias ou pelo descaso da sociedade. Por esse raciocínio, Bauru e Franca podem ter subido no ranking porque denunciaram mais. E as outras cidades é que precisam divulgar mais o serviço.
Outro motivo para as oscilações está na explosão do número de denúncias encaminhadas à Secretaria Especial de Direitos Humanos, órgão do governo federal que centraliza o tema. Com a troca do número telefônico anterior, um 0800, pelo número 100 no ano passado, a quantidade de denúncias, que já vinham aumentando por conta de maior divulgação, ultrapassou a casa das 1.000 denúncias por mês no Brasil.
Em 2005, por exemplo, foram feitas 5.136 denúncias em todo o País. Um número próximo dos dois anos anteriores: 4.994 (2003) e 3.774 (2004). Em 2006, esse total aumentou para 13.823. Em 2007, foram 7.808 denúncias somente até o dia 4 de junho.
Pontos vulneráveis
Os números da Polícia Rodoviária Federal mostram um aumento do número de pontos vulneráveis à exploração sexual infanto-juvenil. Nas rodovias federais do Estado de São Paulo, em 2005 eram 66 pontos; em 2006, foram identificados 98 pontos. Também a PRF informa que não se trata provavelmente do aumento do número de casos, mas de revelação do que já existia, pois a polícia vem se aparelhando e qualificando nos últimos anos para combater o problema.
Os três municípios com maior número de denúncias de exploração sexual desde 2003, conforme o Disque Denúncia, são os três mais populosos: São Paulo (88 casos), Campinas (13) e Guarulhos (12). Em quarto lugar aparece São José dos Campos (11). Depois vêm Bauru (10), Carapicuíba, São João da Boa Vista e Sorocaba (9), Araçatuba, Assis, Guarujá e Osasco (7). Ou seja: proporcionalmente à população, municípios como São João da Boa Vista têm mais denúncias do que cidades grandes ou médias.
No caso do abuso sexual, em geral praticado nas residências, Campinas e Guarulhos estão em terceiro (23 denúncias) e quarto lugar (22), atrás de São Paulo (224) e Bauru (33) e à frente de São José dos Campos (18), Osasco (17), São José do Rio Preto e Sorocaba (12) e Santos (11).
Os dois maiores municípios do ABC, Santo André e São Bernardo do Campo, aparecem em 7.º e 8.º lugar no ranking geral, aquele que inclui casos de negligência e violência, mas principalmente por causa desses dois itens. Esses itens levam também Osasco ao segundo lugar na colocação geral, com 159 denúncias desde 2003, à frente de Campinas (107) e Guarulhos (100), atrás somente de São Paulo (1.009 casos).
O Estado de São Paulo é o primeiro do ranking nacional em números absolutos de registros no Disque-Denúncia, mas o último quando se faz a proporção pela população. No Brasil, foram mais de 1 milhão de ligações desde 2003 - 38% eram trotes. O Disque-Denúncia (número 100) funciona todos os dias, das 8h às 22h.
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Exploração sexual infanto-juvenil
Entre 2003 e 15 de maio de 2007, conforme o Disque-Denúncia do governo federal
Casos notificados
• São Paulo: 224
• Bauru: 33
• Campinas: 23
• Guarulhos: 22
• São José dos Campos: 18
• Osasco: 17
• São José do Rio Preto: -
• Sorocaba: 12
• Itapura: -
• Santos: 11
• Carapicuíba: -
• Franca: 10
• Mogi das Cruzes: -
• Piracicaba: -
• Santo André: 9
• Guarujá: -
• Itapetininga: -
• São Bernardo do Campo: 8
• Ribeirão Preto: -
• Votorantim: 7
Fonte: SEDH