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Em maio de 1994, exatos 13 anos passados, os bancos ofereciam aos seus clientes taxas de juros de 50% ao mês, enlouquecendo frenéticos aplicadores cujo capital dobrava a cada dois meses, ou seja, monetariamente 10.000,00 “rendiam” 5.000,00 por mês. Dezenas de pessoas freqüentavam as praças das cidades menores, “vivendo de rendas”, onde ganhadores e perdedores se misturavam naquele cenário não produtivo. Naquela época, jamais podíamos imaginar que o Brasil sairia de uma taxa de 50% ao mês para uma taxa atual de 1% ao mês.

Mas, com auxílio da ordem econômica mundial e reorganização interna, desde 2000 uma outra realidade se faz presente, impondo ao País uma nova memória monetária, principalmente nas relações capital/trabalho, onde as empresas que sobreviveram, aplicaram políticas permanentes de redução de custos, aumento de vendas e elevação nos lucros gerados.

Os detentores do dinheiro se ajustaram e perceberam que investir em produtos e serviços e bolsa de valores (que financia empresas a um custo menor) traz um retorno financeiro mais desejado. Os bancos, agora com novos produtos, serviços e redução de custos, são campeões de lucratividade, sobressaindo claramente a cobrança de tarifas como um item essencial na sua receita.

O assalariado, ativo ou aposentado, premido pelo orçamento apertado e ameaçado pelo desemprego, gravita entre a consciência e a tênue conscientização da necessidade de redução de custos e despesas, cujo controle urge implementar.

Neste sentido, se entendermos que o seu último reajuste anual de salários foi de 3,5% ao ano, e que para um salário/provento de R$1.000,00 ao mês teve acréscimos de R$35,00, devendo assim permanecer até o próximo reajuste, cuja previsão é de 4% a.a. ou R$44,00, isto parece ser suficiente para concluir que algo precisa ser feito, antes de maio de 2008 chegar.

Surpresa maior será verificar que para receber o seu salário e fazer transações com o banco, vem pagando tarifas, em média, de R$18,00 ao mês ou R$216,00 ao ano, aproximadamente 5 vezes mais que o seu futuro reajuste salarial. Assim, a estabilidade nos preços e salários nos faz pensar e exigir de nós um olhar de longo prazo, procurando atingir um resultado comparativo que nos favoreça minimamente.

Isto implica conscientizar todos os integrantes da família para ações de corte nos custos, redução nas despesas com tarifas, energia elétrica, telefone, etc., pois, por menor que seja a economia obtida, no longo prazo (1 ano) o valor acumulado será um ganho substancial quando comparado com o seu próximo reajuste salarial.

Neste sentido, a perseverança nestas ações ao longo dos meses deverá sempre ser mentalizada e comparada com o valor do seu próximo aumento salarial, em maio de 2008, confrontando-o com as ações domésticas implementadas, que certamente “renderão” no mínimo R$30,00/mês ou R$360,00/ano, para um aumento salarial de R$44,00 no mesmo período de tempo analisado, ou seja, 1 ano.

Dessa forma, vale a pena pensar e agir dentro desta nova realidade, com disciplina e persistência de forma duradoura, cujo benefício será visivelmente positivo para todas as famílias, em qualquer faixa de renda.

O autor, José Aparecido Bordão Alves, é advogado e professor do CTI da Unesp-Bauru

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