Internacional

Bush defende independência de Kosovo

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Sófia - Após uma visita rápida à Albânia, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, chegou ontem a Sófia, Capital da Bulgária, última escala de um tour europeu que termina hoje. Na Albânia, Bush pressionou pela independência da Província sérvia de Kosovo, processo que enfrenta a oposição de Belgrado e da Rússia.

Bush foi recebido no aeroporto pelo ministro búlgaro das Relações Exteriores, Ivailo Kalfin. Esta é segunda vez que um presidente americano visita a Bulgária, após a viagem de Bill Clinton em 1999.

Na agenda da visita, estão previstas reuniões hoje com o presidente do país, Gueorgui Parvanov, e com o primeiro-ministro Serguei Stanichev, assim como autoridades militares búlgaras. A Bulgária integra a força multinacional liderada pelos americanos no Iraque.

A Bulgária - país que não está incluído no polêmico projeto de segurança antimísseis americano no leste da Europa - pedirá um benefício do mesmo nível de segurança dos outros países da Otan.

Bush foi o primeiro presidente americano a visitar a Albânia. Ele defendeu uma resolução rápida para a questão da independência de Kosovo. A ONU, com o apoio dos EUA, estuda oferecer uma independência tutelada à Província separatista sérvia, mas as negociações chegaram a um impasse com a oposição de Belgrado e da Rússia.

“A questão é: vamos manter um diálogo sem fim sobre um assunto sobre o qual já nos decidimos?”, questionou ontem Bush durante uma entrevista coletiva na Albânia. “Estou preocupado com as expectativas que foram criadas em Kosovo. Por isso, vamos impulsionar o processo (de independência)”, afirmou ele, depois de um encontro com o premiê albanês, Sali Berisha.

O plano da ONU prevê que Kosovo deveria ter sua própria Constituição, hino e bandeira, e que a Província pode pedir para ser membro de organizações internacionais - o que daria efetivamente a ela um status de governo soberano.

Kosovo tem sido um protetorado internacional desde a guerra de 1998-1999 entre tropas sérvias e descendentes de albaneses lutando por independência. O governo em Belgrado ofereceu ampla autonomia à Província, mas rejeita uma separação total como exigida pelos kosovares albaneses.

A Sérvia considera Kosovo como seu território histórico, além do berço original do Estado e da religião sérvios. A Rússia, que pode usar seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU para impedir a aprovação do plano, se colocou ao lado de Belgrado na oposição à separação da Província.

O presidente russo, Vladimir Putin, deixou recentemente patente sua postura ao negar que o caso do Kosovo seja diferente dos de outras regiões com movimentos separatistas, como a Abkházia, a Ossétia do Sul, a Transnístria e o País Basco - para os quais não há pressão internacional a favor de independência. “Não entendemos por que teríamos que apoiar uma série de princípios em uma parte da Europa e outra em outras regiões do continente”, disse Putin.

O presidente americano afirmou que a proposta de adiar por seis meses a votação da questão na ONU - proposta pela França- só funcionará se a independência de Kosovo for o objetivo final reconhecido por todos.

Durante a cúpula do G8, que se encerrou na Alemanha anteontem, a proposta francesa foi rechaçada pelo Kremlin, que mais uma vez se recusou a reconhecer o objetivo de transformar a Província num Estado independente. “O que é importante para os kosovares é saber que os EUA e a Albânia apóiam fortemente a independência”, acrescentou Bush. Ele sugeriu que os líderes albaneses se reúnam com a Sérvia para negociar a situação com o país até que o CS da ONU decida o destino do plano das Nações Unidas.

Comentários

Comentários